Por: Tiago Carvalho
A aldeia histórica de
Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, voltou a ser o epicentro de um diálogo
cultural entre o som dos adufes e as tradições orais do Mediterrâneo, desta vez
estendendo as suas geografias musicais ao Cáucaso e Pérsia, encerrando mais uma
edição de sucesso dos ENCONTROS MED (mediterrâneo/medieval).
Promovido pela entidade
organizadora O Corvo e a Raposa, com a parceria estratégica continuada do
Município de Idanha-a-Nova, no âmbito da sua chancela de Cidade Criativa da
Música pela UNESCO, o evento contou ainda com o financiamento integral do
Geopark Naturtejo, Geoparque Mundial da UNESCO, através de ARI Geografia
Criativa-Festival da Paisagem 2026, e com o apoio local da União de Freguesias
de Monsanto e Idanha-a-Velha e da Paróquia de Monsanto.
Durante três dias, cerca de 50 participantes de todo o país, e também Espanha e América Latina, juntaram-se em Monsanto para viver um programa intensivo de aprendizagem. A valorização das raízes locais e da percussão tradicional esteve a cargo da anfitriã do evento Amélia Fonseca (fundadora e coordenadora das Adufeiras de Monsanto), a par de Rui Silva, que asseguraram a passagem deste saber ancestral.
Um dos momentos de
celebração musical aberta à comunidade foi o concerto na Igreja Matriz de São
Salvador de Monsanto, que reuniu cerca de 150 pessoas no dia 24 de outubro. O
espetáculo promoveu uma viagem sonora imersiva entre desde a Pérsia ao
Mediterrâneo, protagonizada pela voz de Sara Islan e acompanhada pelos
cordofones de Carlos Ramirez e Michel Gasco, com a participação especial da
virtuosa percussionista iraniana Sara Fotros no pandeiro "daf",
também formadora nos Encontros.
Nesta 8.ª edição,
deu-se também lugar de destaque ao encontro do Mediterrâneo e do Cáucaso com a
polifonia georgiana — inscrita na Lista Representativa do Património Cultural
Imaterial pela UNESCO em 2008— e que foi trazida pelo Ozurgeti Folk Ensemble, vindo
da região da Guria, sob a direção artística de Giorgi Gorgiladze. O ensemble
orientou uma Oficina de Polifonia Georgiana aberta ao público em geral e
dinamizou uma sessão de mediação com a comunidade escolar do JI/EB1 de
Monsanto, envolvendo diretamente as suas 35 crianças.
A fusão cultural
estendeu-se de forma imersiva à mesa. Na noite da abertura, a 23 de outubro,
«Entre a Guria e Monsanto» abriu a porta a um novo encontro de partilha e
celebração em torno do ritual do ‘supra’ georgiano. Esta tradição milenar, que
cruza gastronomia, vinho e a música polifónica, ganhou vida em parceria com a
Adega Típica O Cruzeiro.
O encerramento
aconteceu, como já é habitual, na emblemática Capela de S. Pedro de Vir a
Corça, domingo 25 de outubro, entre formadores, participantes e comunidade
local.
A Direção Artística do
Encontro, a cabo de Daniela Tomaz, também curadora do Salva a Terra EcoFestival
desde 2019, confirma também a 9.ª edição dos ENCONTROS MED (mediterrâneo /
medieval), de 29 a 31 de outubro de 2027, que terá um maior foco na música
medieval.
Fonte: Câmara Municipal
Idanha-a-Nova


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