sábado, 28 de fevereiro de 2026

“Ti Chitas, a voz que é uma montanha”, a alma de Penha Garcia sobe ao palco do CCB em forma de ópera”


Por: Tiago Carvalho

O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) recebe, de 26 de fevereiro a 1 de março de 2026, o espetáculo “Ti Chitas, a voz que é uma montanha”. Com criação de Teresa Gentil e direção musical do maestro Pedro Castro, esta obra funde a sonoridade da Orquestra Barroca D’Aquém Mar com o legado imortal de Catarina Chitas, figura icónica da cultura popular portuguesa.

Natural de Penha Garcia, no concelho de Idanha-a-Nova, Catarina Chitas (1913-2003), a “Ti Chitas”, foi muito mais do que uma pastora. Foi uma guardiã da memória oral, uma mestre do adufe e uma improvisadora nata que fascinou investigadores como Michel Giacometti.

Este espetáculo, que tem lugar no Centro Cultural de Belém, recupera a história de superação da mulher que aprendeu a ler aos 50 anos de idade e que, entre a fome e a dureza do campo, afirmava viver “sempre cantando e rindo”.

A ópera parte da canção autobiográfica “Toda a vida fui pastora” para explorar como a música serviu de resistência e transmissão de saberes para mulheres maioritariamente iletradas, transformando a privação em arte vibrante.

O espetáculo destaca-se pela sua forte matriz colaborativa, sendo uma coprodução que envolve o Centro Cultural Raiano, em conjunto com o CCB/Fábrica das Artes, a Associação Questão Repetida, a Prolífica e o Centro Cultural de Lagos.

A parceria com o Centro Cultural Raiano sublinha a importância de trazer as vozes do interior do país para os grandes palcos nacionais, celebrando a identidade de Penha Garcia num contexto de erudição contemporânea.

Com uma duração de 50 minutos, o espetáculo é seguido de uma conversa sobre o tema, convidando o público a mergulhar nas questões da ecologia humana, das práticas orais e do Portugal rural que Ti Chitas tão bem representou.

Após a estreia no Centro Cultural de Belém, está prevista a apresentação do espetáculo “Ti Chitas, a voz que é uma montanha” no Centro Cultural Raiano, em data a agendar brevemente. 

De assinalar que esta produção integra o programa CCR 30, apoiado pela DGArtes/RTCP.

Datas: 26 de fevereiro a 1 de março

Horários (Público Geral): Sábado, dia 28 de fevereiro às 19h | Domingo, dia 1 de março às 17h

Local: Pequeno Auditório do CCB, Lisboa

Classificação: Público Geral / Famílias

Fonte: Câmara Municipal Idanha-a-Nova

“Leilão de Cargos classificado como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal”


O Município de Alenquer aprovou, em sessão da Assembleia Municipal realizada a 26 de fevereiro, a classificação do Leilão dos Cargos ou Festa dos Leilões, realizado em Atouguia das Cabras, como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal.

Esta tradição secular, que decorre anualmente no mês de janeiro, constitui um elemento identitário da comunidade local e está profundamente enraizada na vida social, religiosa e cultural da população da localidade de União de Freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres, prestando homenagem durante a festa em honra do Mártir São Sebastião, organizada pela Paróquia de Abrigada em articulação com o Atouguia Futebol Clube.

O reconhecimento agora aprovado resulta de um processo de valorização do património imaterial, enquadrado nas competências legais do Município, e visa salvaguardar práticas sociais, rituais, saberes e técnicas tradicionais associadas à confeção e ao leilão dos cargos, bem como à participação comunitária que carateriza este evento.

O Leilão dos Cargos ou Festa dos Leilões distingue-se pela preparação artesanal das estruturas, pela confeção tradicional dos bolos e pela dinâmica solidária e festiva que envolve a população, reforçando laços de pertença e transmissão intergeracional de conhecimentos. Os ditos cargos são montados em armações resistentes de madeira para poderem aguentar o peso dos bolos e das laranjas, forrados de murta e levam no topo um bolo redondo enfeitado com fitas encarnadas e uma ou duas laranjas. O número de bolos, em forma de ferradura, e o seu peso, obedecem a uma medida certa e que tem por base “a 'quarta'. A tradição contempla um cargo grande, de 24 bolos, e outro pequeno, de 12.

Esta classificação representa um passo fundamental para a preservação e promoção da identidade cultural local, contribuindo para a valorização do território e para o reconhecimento público do papel das comunidades na manutenção das suas tradições, reconhecendo a importância do Leilão dos Cargos enquanto expressão viva da história, da fé e das práticas comunitárias de Atouguia e do concelho de Alenquer.

Fonte: Câmara Municipal Alenquer