Por: José Morais
A relação entre menopausa,
obesidade e cancro do endométrio tornou‑se um
dos temas centrais da saúde feminina contemporânea. À medida que o conhecimento
clínico e biológico avança, a compreensão desta doença ganha novas camadas e
revela oportunidades reais de prevenção.
Um
problema crescente na Europa
O cancro do endométrio, que se
desenvolve na camada interna do útero, é hoje um dos tumores ginecológicos mais
frequentes nos países desenvolvidos. Só em 2022, a Europa registou 124.874
novos casos e mais de 30 mil mortes, números que continuam a subir.
Este aumento resulta de
fatores não modificáveis como o envelhecimento ou a predisposição genética mas
também de elementos ligados ao estilo de vida. Entre estes, a obesidade destaca‑se como um dos mais
determinantes.
Sintomas
e diversidade biológica
A doença pode manifestar‑se através de hemorragia
vaginal pós‑menopausa,
dor pélvica ou, em alguns casos, evoluir silenciosamente. Hoje sabe‑se que não existe “um” cancro
do endométrio, mas vários subtipos com comportamentos biológicos distintos,
influenciados por alterações moleculares já identificadas.
O
triângulo de risco: menopausa, obesidade e cancro
As mulheres com obesidade têm
mais do dobro do risco de desenvolver cancro do endométrio. Este fenómeno
resulta de dois mecanismos principais:
Excesso de estrogénios após a
menopausa o tecido adiposo torna‑se a
principal fonte de estrogénios, estimulando continuamente o endométrio.
Inflamação crónica a obesidade
cria um ambiente metabólico que favorece a proliferação celular e o
desenvolvimento tumoral.
O risco aumenta de forma
proporcional ao índice de massa corporal (IMC):
Excesso de peso → risco 1,5
vezes superior
Obesidade moderada → risco
duplicado
Obesidade severa → risco
quadruplicado
Obesidade mórbida → risco até
sete vezes maior
A boa
notícia: é possível reduzir o risco
A obesidade é um fator de
risco modificável. Estudos mostram que perder peso, mesmo de forma moderada,
reduz significativamente a probabilidade de desenvolver a doença. Estratégias
eficazes incluem:
Alimentação
equilibrada
Atividade física regular
caminhadas, subir escadas, tarefas diárias ativas
Vigilância ginecológica
periódica para deteção precoce de sinais de alerta
Nem todos
os cancros são evitáveis e a ciência está a avançar
Importa reforçar que nem todos
os casos estão ligados a fatores metabólicos. Alguns tumores são menos
dependentes da exposição hormonal e apresentam comportamentos mais agressivos.
A investigação das últimas
décadas permitiu identificar subtipos moleculares e desenvolver abordagens
terapêuticas mais personalizadas, melhorando o prognóstico mesmo em fases
avançadas.
Informar
é capacitar
Falar de cancro do endométrio
é falar de prevenção, ciência e esperança. É reconhecer que escolhas informadas
podem reduzir riscos, mas também que a investigação continua a abrir novos
caminhos terapêuticos para as mulheres que enfrentam esta doença.




