domingo, 16 de agosto de 2026

“Esclerose Múltipla: quando a ciência pede ação e o futuro não pode esperar”


Por: José Morais

A Esclerose Múltipla (EM) deixou de ser encarada como uma doença inevitavelmente progressiva. A comunidade científica converge hoje num ponto decisivo: iniciar terapêuticas de maior eficácia mais cedo pode reduzir surtos, atrasar a incapacidade e proteger funções neurológicas que, uma vez perdidas, raramente regressam. Esta mudança de paradigma não é apenas técnica é profundamente humana.

O avanço do conhecimento transformou a forma como olhamos para a Esclerose Múltipla. O que antes parecia uma ambição longínqua tornouse um objetivo concreto: diagnosticar cedo, intervir com rigor e garantir que cada pessoa tem acesso ao tratamento certo no momento certo. A esperança deixou de ser um conceito abstrato e passou a ser uma estratégia clínica.

Há quatro anos, no Dia Mundial da Esclerose Múltipla, a SPEM e o Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla lançaram um debate que marcou a agenda nacional: A Caminho das Curas. Desse encontro nasceu uma palavra que continua a orientar o movimento: determinação. Determinação para não acomodar sucessos, para não desistir de quem enfrenta formas mais agressivas da doença e para continuar a caminhar com ciência, coragem e esperança.

Dessa reflexão emergiu a agenda internacional Pathways to Cures, construída por associações de doentes e investigadores. A cura deixou de ser um ideal difuso e passou a organizarse em três caminhos claros: parar a doença, restaurar funções perdidas e prevenir o aparecimento da Esclerose Múltipla. Uma abordagem que reconhece que “cura” não significa o mesmo para todos, mas que todos têm direito a ver a sua esperança convertida em prioridade científica e política.

O primeiro desses caminhos STOP MS já mostra resultados concretos. O objetivo é simples na formulação e exigente na prática: alcançar um estado estável, sem nova atividade inflamatória, sem novas lesões e sem agravamento da qualidade de vida. Parar a doença deixou de ser metáfora. É uma meta mensurável que exige diagnóstico precoce, monitorização rigorosa e decisões terapêuticas atempadas.

A capacidade de diagnosticar Esclerose Múltipla evoluiu de forma significativa. Novos biomarcadores complementam exames como a ressonância, permitindo uma monitorização mais completa e uma proteção mais eficaz da função neurológica, da autonomia e da qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, muitos países abandonaram a lógica conservadora do “subir degraus” apenas depois de a doença mostrar atividade. A evidência é clara: iniciar terapêuticas de maior eficácia mais cedo pode reduzir surtos, atrasar a incapacidade e preservar projetos de vida. Não se trata de tratar todos da mesma forma, mas de tratar melhor cada pessoa. A Esclerose Múltipla é heterogénea, imprevisível e profundamente individual. A decisão deve ser partilhada entre doente e neurologista, ponderando risco, benefício, idade, atividade da doença, preferências e segurança. Prudência não é sinónimo de atraso e é aqui que Portugal precisa de avançar.

A Norma da DireçãoGeral da Saúde sobre terapêuticas modificadoras da EM, datada de 2012 e revista em 2015, já não acompanha a evolução científica e clínica dos últimos anos. A lógica de primeira e segunda linha mantém muitos doentes numa posição reativa: primeiro esperase pela falha, depois mudase. Mas, na Esclerose Múltipla, esperar pela falha pode significar, esperar por um surto, por novas lesões, por perda funcional e por mais ansiedade.

Atualizar esta Norma não é precipitação é responsabilidade. É reconhecer que o conhecimento avançou, que os medicamentos evoluíram e que as pessoas com EM valorizam acima de tudo preservar autonomia, continuar a trabalhar, estudar, amar, cuidar e participar.

Parar a EM não depende apenas de medicamentos. Depende de acesso rápido a consultas, ressonâncias, enfermagem especializada, reabilitação, psicologia, urologia, apoio social e literacia em saúde. O caminho das curas é científico, mas também organizacional. Exige sistemas de saúde que medem resultados que importam às pessoas, e não apenas atos. Exige participação dos doentes nas decisões e nas políticas públicas.

Em 2022 perguntámos se seria possível curar a Esclerose Múltipla. Hoje, a pergunta é outra: estamos dispostos a fazer tudo o que já sabemos que pode aproximar-nos desse objetivo? A SPEM responde: sim. Com realismo, esperança e determinação. Cada ano de atraso representa vidas mais condicionadas e oportunidades perdidas.

Atualizar a Norma portuguesa não é detalhe técnico é sinal político, clínico e humano. É dizer às pessoas com Esclerose Múltipla que Portugal não quer apenas gerir a doença: quer travála. É alinhar o país com a ambição internacional do Pathways to Cures. É transformar a voz dos doentes em mudança concreta no SNS.

Parar a Esclerose Múltipla não é apenas um objetivo científico. É um compromisso com a dignidade e é esse compromisso que nos obriga a continuar.

sábado, 15 de agosto de 2026

“Em destaque: Museu Oriente”


Visita orientada

 

YOU, ME, US

[O, HAU, ITA; TU, EU, NÓS]

Com a artista timorense Maria Madeira

21 Agosto | 18h | Gratuito, mediante inscrição

Saber mais: https://www.foriente.pt/detalhe.php?id=FE4D14E0-7B3A-4107-9B5B-497FC556BC96&area=servico-educativo



Ciclo de Cinema

 

MESTRES JAPONESES DESCONHECIDOS

Domingos | Até 30 Agosto | Auditório | 18h

M/12 | M/14 anos | Entrada gratuita

16 Agosto | O Monge Apostador

Shôgorô Nishimura [1963]

23 Agosto | Roída até ao Osso

Tai Katô [1966]

30 Agosto | Yôko, a Delinquente

Yasuo Furuhata [1966]

Saber mais: https://www.foriente.pt/detalhe.php?id=89384CD7-900F-46DA-9A98-AFCA1315485F&area=espectaculos

Fonte: Fundação Oriente

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

“Casa do Benfica em Idanha-a-Nova celebrou o 23.º aniversário”


Por: Tiago Carvalho

A Casa do Sport Lisboa e Benfica em Idanha-a-Nova comemorou, ao final do dia 13 de agosto, o seu 23.º aniversário numa cerimónia que reuniu associados, órgãos sociais e representantes locais para assinalar mais de duas décadas de atividade contínua no concelho. A valorização da memória da coletividade marcou as celebrações com a apresentação de uma exposição da autoria do sócio fundador João Fazendas. A mostra retrata o percurso histórico da associação, desde os momentos que antecederam a sua fundação oficial até à atualidade, oferecendo aos visitantes uma viagem documental pelas metas alcançadas pela instituição.

O Vice-Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Vítor Mascarenhas, esteve presente na iniciativa e destacou o papel da associação na dinamização do território. “É um privilégio partilhar este momento comemorativo com todos os presentes, em nome do Município de Idanha-a-Nova, e testemunhar o percurso de uma associação que assume uma relevância indiscutível em todo o nosso concelho”, afirmou o autarca.


Vítor Mascarenhas, que esteve em representação da autarquia, salientou ainda o impacto social da atividade associativa desenvolvida. “Ao longo de mais de duas décadas, os órgãos sociais e os sócios souberam, com abnegação, construir um espaço aberto a todos os idanhenses, promovendo o convívio, a união e a partilha de valores que transcendem o desporto. A vossa atividade dinâmica traz vida ao nosso concelho, agregando as pessoas em torno de causas e momentos de celebração comuns”.

Relativamente à exposição fotográfica e documental inaugurada na sede social, o Vice-Presidente realçou a importância do registo histórico para as gerações futuras, uma vez que “preserva a memória e valoriza o esforço coletivo das pessoas da nossa terra”. “E é igualmente através desta dedicação que mantemos vivas as origens de uma instituição que tanto honra o concelho de Idanha-a-Nova”, acrescentou Vítor Mascarenhas.


O Município de Idanha-a-Nova reiterou o compromisso de continuar a acompanhar o trabalho das associações locais, agradecendo o seu contributo para a qualidade de vida dos munícipes. “Reconhecemos no vosso trabalho um parceiro fundamental para o desenvolvimento local e para a coesão da nossa comunidade. A longevidade desta associação comprova a solidez do vosso projeto, o empenho das sucessivas direções e a fidelidade dos vossos associados ao longo destes vinte e três anos. Em nome da Câmara Municipal, transmito os nossos sinceros parabéns à Casa do Benfica em Idanha-a-Nova e desejamos que continuem a trilhar um caminho de sucesso, com novas metas alcançadas e sempre com o mesmo espírito de missão ao serviço de todo o nosso concelho”, concluiu Vítor Mascarenhas.

Depois do Presidente da União de Freguesias de Idanha-a-Nova e Alcafozes, João Couchinho, ter afirmado que a “Junta de Freguesia está aqui para ajudar no necessário”, Max Ruivo enalteceu a presença do Município e da União de Freguesias na cerimónia. O Presidente da Casa do Benfica sublinhou também o papel da instituição em Idanha-a-Nova e além-fronteiras do concelho, mostrando-se orgulhoso pelo trabalho desenvolvido ao longo de 23 anos pelos muitos protagonistas e associados da Casa do Benfica.

O programa comemorativo encerrou com os tradicionais parabéns à instituição e com um momento de confraternização entre todos os presentes durante a transmissão do desafio europeu de futebol do Sport Lisboa e Benfica.

Fonte: Câmara Municipal Idanha-a-Nova