Por: José Morais
Todos os anos, milhares de
pessoas perdem parte da visão sem perceber que estão a desenvolver uma doença
ocular grave. O glaucoma, muitas vezes apelidado de “ladrão silencioso da
visão”, evolui de forma discreta e pode provocar danos irreversíveis antes mesmo
de surgir qualquer sinal evidente.
Na maioria dos casos, a doença
progride lentamente e sem sintomas nas fases iniciais. Essa característica faz
com que muitas pessoas só procurem ajuda médica quando a perda de visão já é
significativa — um momento em que, infelizmente, os danos já não podem ser
revertidos.
Uma
ameaça global à saúde visual
O glaucoma é atualmente uma
das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo. Estima-se que
afete cerca de 80 milhões de pessoas, sendo que uma parte significativa
desconhece que tem a doença.
Trata-se de uma patologia
crónica que provoca danos progressivos no nervo ótico, estrutura essencial para
a transmissão das imagens do olho para o cérebro. Sem tratamento adequado, a
doença pode levar à perda gradual do campo visual e, em fases mais avançadas, à
cegueira.
Semana
Mundial alerta para a importância da prevenção
Durante o mês de março
realiza-se a Semana Mundial do Glaucoma, uma campanha internacional dedicada à
sensibilização da população para esta doença ocular. A iniciativa procura
alertar não apenas os cidadãos, mas também os profissionais de saúde e decisores
políticos para a importância do diagnóstico precoce e do acesso aos cuidados
oftalmológicos.
A mensagem central é clara: a
deteção atempada pode evitar a progressão da doença e preservar a visão durante
muitos anos.
Quem tem
maior risco?
Alguns fatores aumentam
significativamente a probabilidade de desenvolver glaucoma. Entre os principais
estão:
Histórico familiar da doença,
que eleva consideravelmente o risco
Idade superior a 40 ou 50
anos, quando a incidência começa a aumentar
Pressão intraocular elevada,
um dos indicadores mais importantes
Doenças como diabetes ou
problemas cardiovasculares
Uso prolongado de certos
medicamentos, como corticoides
A presença de um ou mais
destes fatores torna ainda mais importante a realização de consultas regulares
de Oftalmologia.
Sintomas
surgem apenas em fases avançadas
Um dos grandes perigos do
glaucoma é a ausência de sinais precoces. Quando os sintomas começam a surgir,
a doença pode já estar numa fase avançada.
Entre as
manifestações mais comuns encontram-se:
redução progressiva da visão
periférica
dificuldade em perceber
objetos laterais
sensação de “visão em túnel”
No entanto, esperar por estes
sinais pode ser arriscado, pois a perda visual provocada pelo glaucoma é
permanente.
Diagnóstico
simples pode salvar a visão
Apesar da gravidade da doença,
o diagnóstico pode ser feito através de exames relativamente simples realizados
numa consulta de Oftalmologia. Entre os mais utilizados estão:
Tonometria, que mede a pressão
dentro do olho
Campimetria, que avalia o
campo visual
Análise do nervo ótico, para
detetar alterações estruturais
Com base nestes exames, o
especialista define o tratamento mais adequado. As opções terapêuticas incluem
colírios para reduzir a pressão intraocular, tratamentos a laser ou, em alguns
casos, cirurgia.
Vigilância ao longo da
vida
O glaucoma não tem cura
definitiva, mas pode ser controlado. Com acompanhamento médico regular e
tratamento adequado, muitos doentes conseguem manter a visão estável durante
décadas e preservar a autonomia no dia a dia.
Por essa razão, os
especialistas sublinham a importância de incluir o exame ocular nas rotinas de
saúde, especialmente após os 40 anos.
Prevenir
continua a ser a melhor estratégia
Num contexto em que o glaucoma
pode evoluir durante anos sem dar sinais evidentes, a prevenção torna-se a
principal aliada da saúde visual. Uma simples consulta de rotina pode permitir
identificar alterações precoces e iniciar tratamento antes que ocorram danos
permanentes.
No caso desta doença
silenciosa, esperar pelos sintomas pode significar perder algo insubstituível:
a visão.


