sábado, 30 de maio de 2026

“Festival de Folclore de Arcena celebra 44.ª edição com grupos de todo o país”


Por: José Morais

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena prepara-se para realizar, no próximo dia 20 de junho de 2026, pelas 21h30, no Museu Etnográfico de Arcena, a 44.ª edição do Festival de Folclore, um dos eventos culturais mais emblemáticos da região e uma referência na preservação das tradições populares portuguesas.

 

Um legado que atravessa gerações


O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena, no Baixo Ribatejo, nasceu em 1979 e tornouse um dos pilares culturais da coletividade e da própria localidade de Arcena. A sua criação integrase na longa história da Casa do Povo de Arcena, fundada em 15 de março de 1934, instituição que sempre teve um papel central na vida social, cultural e comunitária da região, um papel determinante na preservação e divulgação da cultura tradicional portuguesa, com especial enfoque nas tradições do Baixo Ribatejo e das zonas de transição para a Estremadura.

Através das suas danças, cantares, trajes e recriações etnográficas, o grupo mantém viva a memória das comunidades rurais, dos trabalhos agrícolas, das festividades populares e dos costumes que moldaram a identidade das gentes de Arcena. A Escola de Folclore, integrada no rancho, tem sido igualmente essencial na transmissão deste património às novas gerações, garantindo a continuidade de um legado cultural que permanece vivo e dinâmico.

 

Museu Etnográfico: palco e guardião da memória local

 

O evento decorre no Museu Etnográfico de Arcena, espaço que acolhe um vasto espólio representativo da história e identidade da comunidade. O museu assume-se como um dos principais guardiões da memória coletiva local, tornando-se o cenário ideal para um festival que celebra precisamente essa herança cultural.

 

Grupos participantes

 

O festival contará com a presença de vários ranchos convidados, provenientes de diferentes regiões etnográficas do país, proporcionando ao público uma viagem única pela diversidade cultural portuguesa, e o cartaz do festival vai ter:

Rancho Folclórico Casa do Povo de Arcena do Baixo Ribatejo, Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos do Douro Litoral Sul, Rancho Folclórico Sampaense da Beira Alta Serrana, Rancho Folclórico de Geraldes da Alta Estremadura, Rancho Folclórico Fazendeiros de Montemor do Alentejo.

 

Um pouco da história dos ranchos convidados

 

O Rancho 𝗥𝗲𝗴𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗥𝗲𝗰𝗼𝗿𝗱𝗮𝗿 𝗲́ 𝗩𝗶𝘃𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗣𝗮𝗿𝗮𝗺𝗼𝘀, 𝗗𝗼𝘂𝗿𝗼 𝗟𝗶𝘁𝗼𝗿𝗮𝗹 𝗦𝘂𝗹, vem de Espinho, fundado a 13 de maio de 1980, tem sido um dos principais embaixadores da região, está integrado na Associação de Beneficência, Cultura e Recreio de Paramos (A.B.C.R.), fundada no mesmo ano.

Dedicase à recriação fiel dos usos e costumes do Douro Litoral Sul, região marcada por tradições agrícolas, piscatórias e rurais, e atualmente reúne cerca de 45 elementos de várias idades.

 

O 𝗥𝗮𝗻𝗰𝗵𝗼 𝗙𝗼𝗹𝗰𝗹𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗦𝗮𝗺𝗽𝗮𝗲𝗻𝘀𝗲, 𝗕𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗔𝗹𝘁𝗮 𝗦𝗲𝗿𝗿𝗮𝗻𝗮 tornou um dos mais importantes divulgadores das tradições da região, foi criado em novembro de 1976, no seio da Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense (S.R.L.S.), com a missão clara de pesquisar, recolher, preservar e divulgar as tradições da região conhecida como Beira Alta Serrana, especialmente do concelho de Oliveira do Hospital.

O seu trabalho de recolha e reservação empenhou-se em recolher trajes tradicionais, utensílios, cantares e danças antigas, onde reconstrui usos e costumes ligados ao quotidiano rural: pastores, romeiros, mordomos, doceiras, entre outros.

Sendo reconhecido como um dos grupos mais representativos da região, destacando-se pela beleza e rigor técnico dos seus bailados, alegria contagiante das atuações.

 

O 𝗥𝗮𝗻𝗰𝗵𝗼 𝗙𝗼𝗹𝗰𝗹𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗲 𝗚𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗲𝘀, 𝗔𝗹𝘁𝗮 𝗘𝘀𝘁𝗿𝗲𝗺𝗮𝗱𝘂𝗿𝗮 possui uma história bem documentada e reconhecida, sendo hoje um dos principais representantes das tradições do concelho de Peniche. A seguir tens uma síntese clara da sua origem, evolução e importância cultural, com base nas fontes encontradas.

Fundado oficialmente a 13 de agosto de 1984, integrando a Secção de Folclore do Centro de Solidariedade Social, Convívio e Cultura de Geraldes, desde o início, assumiu como missão preservar e divulgar os usos e costumes tradicionais do concelho de Peniche, uma região marcada pela forte ligação ao mar, à pesca e à indústria conserveira.

A partir de 2013, o grupo intensificou o seu trabalho de pesquisa etnográfica, recolhendo modas e danças tradicionais, trajes históricos, objetos e utensílios, superstições, orações e provérbios, jogos e brincadeiras e tradições festivas e religiosas.

Os trajes usados pelo Rancho são réplicas fiéis dos finais do século XIX e início do século XX, representando várias figuras e profissões locais, e as suas danças são maioritariamente modas de roda, típicas da região.

O 𝗥𝗮𝗻𝗰𝗵𝗼 𝗙𝗼𝗹𝗰𝗹𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗙𝗮𝘇𝗲𝗻𝗱𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝘁𝗲𝗺𝗼𝗿, vem de MontemoroNovo, no Alentejo, tornouse um dos grupos mais representativos da tradição montemorense. A sua criação esteve ligada à vontade de preservar as modas, danças, cantares e trajes das antigas fazendas da região, um património profundamente marcado pela vida agrícola alentejana.

Fundado em 1958 por Feliciano Rabaça do Carmo, figura central na dinamização cultural local, nasceu com o objetivo de manter vivas as danças e cantares que animavam serões, adiafas, festas e o quotidiano rural das fazendas de MontemoroNovo.

Os trajes representam várias figuras tradicionais, pastor, ceifeiros, mondadeiras, ganhões, fazendeiros abastados, entre outros, um retrato vivo da etnografia local.

O Rancho Folclórico Fazendeiros de MontemoroNovo é um símbolo da identidade alentejana, preservando há quase sete décadas o património musical, coreográfico e etnográfico das antigas fazendas de Montemor. A sua história combina tradição, participação comunitária e projeção nacional e internacional, mantendo viva uma das expressões culturais mais marcantes do Alentejo.

 

Uma noite de tradição, convívio e identidade

 

Com um excelente cartaz, o 44º Festival de Folclore de Arcena, promete oferecer ao público uma verdadeira imersão nas diferentes expressões culturais do país, num ambiente de convívio, partilha e celebração da identidade portuguesa. Para a comunidade local, o festival representa não apenas um espetáculo, mas também um momento de afirmação cultural e de continuidade das tradições que definem Arcena.

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