sábado, 29 de março de 2025

“A distonia afeta pelo menos 1500 portugueses, mas o número real poderá ser superior”


Por: Professor Miguel Coelho, médico neurologista no Hospital de Santa Maria

A distonia é uma patologia com origem no sistema nervoso que afeta mais de 1500 portugueses. No entanto, este número poderá não corresponder à realidade, uma vez que este é um problema de saúde provavelmente subdiagnosticado. Isto acontece porque esta é ainda uma doença pouco conhecida e cujos sintomas são frequentemente desvalorizados. Embora não exista cura, há tratamento e importa frisar a importância do diagnóstico precoce.

Antes de mais, importa saber que doença é esta que afeta as atividades de vida diária, como dormir, comer, caminhar e até falar, diminuindo consideravelmente a qualidade de vida dos doentes. A distonia caracteriza-se pela existência de contrações musculares involuntárias, podendo originar movimentos repetitivos ou levar a posições anómalas e, por vezes, dolorosas, de determinadas partes do corpo ou até em todo o corpo.

 

Existem várias causas de distonia:

 

Distonia idiopática: quando não se identifica uma causa subjacente para a distonia. São os casos mais frequentes.

Distonia adquirida: quando esta é um efeito de outra doença, como a doença de Parkinson, um AVC, uma infeção, uma paralisia cerebral ou a certos medicamentos.

É ainda possível classificar a distonia conforme a parte do corpo afetada:

Distonia focal: afeta apenas uma área do corpo, como as pálpebras ou o pescoço, sendo mais comum em adultos;

Distonia segmentar: afeta duas ou mais áreas próximas do corpo;

Distonia generalizada: afeta o tronco e mais duas áreas do corpo, sendo frequente nestes casos envolver os membros inferiores; mais comum em crianças.

Esta é uma doença tratável, ainda que sem cura. Como tal, existem tratamentos eficazes que melhoram significativamente a qualidade de vida dos doentes:

Tratamento médico: consiste na toma de medicamentos por via oral ou pela aplicação intramuscular de toxina botulínica. Este último representa o tratamento mais eficaz para as distonias focais e o seu efeito dura entre 12 e 16 semanas, requerendo uma aplicação a cada 3 ou 4 meses;

Tratamento cirúrgico: consiste na estimulação cerebral profunda, que é realizada através da colocação de elétrodos nos gânglios da base. É realizado apenas em casos graves de distonia e que não respondam de forma satisfatória aos tratamentos farmacológicos, melhorando substancialmente a distonia, com repercussão na melhoria da qualidade de vida.

Para que seja possível avançar com o tratamento adequado, o diagnóstico precoce é crucial. Quanto mais cedo for realizado, maior será a probabilidade de melhorar a qualidade de vida dos doentes. No entanto, o subdiagnóstico ou diagnóstico tardio da distonia acontece, muitas vezes, pela desvalorização dos sintomas por parte do doente ou pelo não reconhecimento dos mesmos pelo médico.

O diagnóstico da distonia é clínico, ou seja, é através da observação dos sintomas que o médico o faz, sendo a Neurologia a especialidade mais habilitada para diagnosticar esta doença. Muitas das vezes, são requisitados exames, mas apenas para se excluírem causas subjacentes que podem estar associadas à distonia, uma vez que não existem exames complementares de diagnóstico que especifiquem que o doente tem distonia.

No entanto, uma vez que nos adultos os primeiros sintomas surgem em determinados segmentos corporais, como os olhos, os doentes recorrem muitas das vezes a especialidades centradas no local dos espasmos, como Oftalmologia. Isto acaba por ser um dos fatores que contribuem para atrasar ou dificultar o diagnóstico correto, uma vez que os médicos de outras áreas que não a neurologia estão menos familiarizados com esta patologia.

Devido a isto, importa, além da sensibilização da população, promover o conhecimento médico relativamente a esta patologia ainda pouco conhecida.

Um artigo de opinião escrito pelo Professor Miguel Coelho, médico neurologista no Hospital de Santa Maria.

Fonte: Sapo on-line saúde

sexta-feira, 28 de março de 2025

“Água com limão? Estudo diz que pode corroer os dentes”


Ingerir bebidas ácidas, como chá de fruta ou águas aromatizadas, pode corroer os dentes e prejudicar o esmalte dentário, conclui um estudo publicado no "British Dental Journal" pela Universidade King's College, em Londres

Segundo os cientistas, tomar este tipo de bebidas ácidas entre refeições e saboreá-las aumenta o risco de erosão dentária. No estudo publicado no "British Dental Journal", os investigadores analisaram a dieta de 300 pessoas com erosão dentária severa.

De acordo com a análise, as bebidas concentradas, chás de frutas, refrigerantes diet, sumos com açúcar e águas aromatizadas são considerados bebidas ácidas e podem corroer os dentes. O risco de ficar com o esmalte dentário danificado é ainda maior quando o consumidor passa "muito tempo a beber e a saborear estas bebidas antes de as engolir", frisa a investigação.

Por outro lado, os cientistas responsáveis pelo estudo adiantam que os refrigerantes sem açúcar são quase tão erosivos como os que contêm açúcar. O vinagre e conservas também podem agravar a erosão dentária.

"Se toma bebidas [ácidas] por longos períodos de tempo, por mais de cinco minutos, por exemplo, ou se brinca com a fruta nos dentes antes de a ingerir, isso pode realmente deteriorar a sua dentição", alerta Saoirse O'Toole, do Instituto de Medicina Dentária do King's College, uma das autoras citada pela BBC.

"Depois de comer uma maçã, tente não ingerir nada ácido ao final do dia", recomenda. "Se vai tomar vinho à noite, não tome chá de fruta no dia seguinte. É só equilibrar a dieta", afirma.

 

Bebidas e refeições: o que escolher?

 

Os investigadores descobriram que as pessoas que bebem água com rodelas de limão ou chá quente de fruta entre as refeições tinham 11 vezes mais hipóteses de apresentar erosão dentária média ou severa. No entanto, esse número baixava para metade quando as bebidas eram ingeridas durante as refeições.

Segundo Russ Ladwa, do comité de saúde e ciência da Associação Britânica de Medicina Dentária, tomar bebidas ácidas durante uma refeição minimiza os danos porque mastigar comida aumenta a produção de saliva que é alcalina e anula a acidez.

"Deveríamos promover o consumo de bebidas sem as saborear por um longo período, como se fossem um shot, e limitar assim os refrigerantes às refeições", diz.

O uso de palhinhas nas bebidas também pode evitar que o ácido das mesmas entre em contacto com os dentes. Ladwa recomenda ainda beber água e bebidas nutritivas como o leite, além de alimentos que neutralizam o ácido, como o queijo.

O estudo elenca um conjunto de bebidas ácidas - álcool, chá de fruta, água aromatizada, sumos concentrados, refrigerantes diet e bebidas adocicadas - e não ácidas - água, chá, café, leite, água com gás. Conheça algumas dessas comidas nocivas para os dentes:

A erosão dentária é a perda progressiva do revestimento dentário por processos químicos que não envolvem a ação bacteriana.

A acidez dos alimentos e bebidas é mais relevante para a erosão do que o açúcar.

A dieta, estilo de vida, ambiente e, em alguns casos, os medicamentos podem aumentar os riscos de erosão dentária. Usar pasta de dentes com flúor, elixir e modificar a dieta pode reduzir o risco de erosão.

Fonte: Sapo on-line saúde

“Espetáculo Mitologia e Histórias Esculpidas”


Companhia Tarikavalli

          

Sábado | 5 Abril | Auditório | 19.00 | € 15 [descontos em vigor]

Intérpretes Tarikavalli, Catarina Mallika, Julieta Rousseau

Mitologia e Histórias Esculpidas celebra a riqueza da dança clássica Bharata Natyam, em simbiose com a iconografia indiana, entre arte e espiritualidade. Cada coreografia destaca uma divindade do panteão hindu, como Nataraja ou Krishna, trazendo para o presente as histórias esculpidas nos templos do sul da Índia.

M/ 6 anos

Local Museu do Oriente

Pode saber mais em: Fundação Oriente - Mitologia e Histórias Esculpidas | Companhia Tarikavalli

Fonte: Fundação Oriente