terça-feira, 1 de julho de 2025

“Porque é que em 50 anos nada mudou no jornalismo regional”


Por: José Vieira

Tenho 28 anos de jornalismo, ininterrupto. É uma vida, de muitas experiências, muitas reportagens e uma aprendizagem contínua e muito profícua. Estes anos de jornalismo como principal fonte de rendimento, deu-me, sem sombra de dúvida, algum à-vontade para teorizar sobre a razão por que o jornalismo regional não sai da cepa torta. Importa referir que o meu pensamento não se baseia em previsões astrológicas, ou cartas de Tarot, mas sim são baseadas no estudo do setor, que desde sempre o tenho feito e mais recentemente, juntando-se as medidas que estão em cima da mesa do Secretário de Estado e do Ministro Leitão Amaro.

“O jornalismo regional debate-se e contorce-se com a falta de recursos e financiamento para poder trabalhar de uma forma autónoma e isenta”

Quem trabalha no regional, sabe perfeitamente que não é fácil impormos a nossa marca, a nossa visão de como vemos os acontecimentos do dia a dia, e acima de tudo, a nossa independência.

O jornalismo regional debate-se e contorce-se com a falta de recursos e financiamento para poder trabalhar de uma forma autónoma e isenta. Quanto mais locais somos, mais independência perdemos. Se queremos fazer um trabalho de cobertura das diversas agendas, (política, cultura, eventos, etc.) para a comunidade onde estamos inseridos (seja grande ou pequena), precisamos de jornalistas, equipamento, viaturas, redação, parque tecnológico e meios de difusão (papel ou digital). Isso custa muito dinheiro, para o investimento inicial, e depois para suportar toda a estrutura da operação.

As fontes de financiamento que os veículos informativos têm à disposição resumem-se à venda da publicidade, assinaturas (papel e digital), banners no formato digital e venda de jornais ou revistas em formato tabloide. Há também aqueles são aconchegados pelo poder local, e conseguem avenças razoáveis ou venda de páginas de publicidade (por vezes propaganda pura). Desde que sou gente nesta área, a fórmula é sempre esta e nada mudou em 50 anos, ou pelo menos em 28 anos da minha experiência in loco.

Importa referir que temos uma legislação e legisladores, no que ao jornalismo diz respeito, que são muito profícuos a encontrar soluções, para os jornais…nacionais! Em 50 anos de jornalismo regional, podemos apenas falar de apoios para o Porte-Pago para a imprensa regional, e mesmo este subsídio já foi alvo de pretensões de mudança, mas felizmente ainda se mantém. Enquanto o jornalismo nacional avança, sem medos, porque nas derrapagens, está lá o governo para os apoiar, o regional estagna e não avança. Aliás, faz marcha-atrás. Há uma verdadeira cultura política para acabar com a maior parte dos títulos da imprensa regional.

“90% dos títulos vai afundar. Literalmente!”

Nunca se falou tanto, nos últimos 15 meses, sobre regulamentos e apoio para a imprensa regional, mas de facto, o que tem avançado e que se tem materializado em apoios reais, são os subsídios ao jornalismo nacional. E não podemos esquecer que a ser aprovado o regulamento ainda negociado pelo anterior governo, vai ser mais uma estaca nas empresas de comunicação, pois obriga-nos a investir e a suportar condições de trabalho que não se coadunam com a capacidade de retorno financeiro levantadas pelos órgãos de comunicação regionais.

Vai ser bom para meia dúzia de jornais, que têm uma implantação regional robusta, tendo os seus canais comerciais já muito desenvolvidos e em que auferem mensalmente do poder público verbas interessantes. Mas isto resume-se a 10% dos títulos existentes. 90% dos títulos vai afundar. Literalmente! Só para terem uma ideia de uma das medidas previstas, obriga que todos os jornais tenham ao seu serviço um jornalista profissional, que vai onerar as operações mensalmente em mais de 2 mil euros. Isto do proprietário e diretor fazer as notícias, vai acabar. Se realizarmos que 90% da imprensa regional subsiste justamente porque é o proprietário e diretor que empurra o barco, este novo regulamento a ser aprovado e implementado, vai ser a machadada final no jornalismo regional.

“O que vai haver são regras muito apertadas para estrangular de vez o jornalista e o jornalismo de proximidade.”

Ao governo, assiste a ideia que é mais fácil controlar 50 a 100 jornais regionais, do que 800 (número aproximado) ou 1700 como erámos há bem pouco tempo. A estratégia do governo está a resultar, porque anualmente centenas de órgãos de comunicação encerram a atividade, e agora prepara-se o desfecho da cortina final. Quando sair o novo regulamento, o jornalismo regional plural, forte e independente, acaba. Ficam apenas aqueles que reúnem as condições para serem subsídio-dependentes das câmaras (uns 100 jornais se tanto). Isto é o sistema a testar-nos e a forçar-nos a mudar ou a acabar. E nós vamos deixando.

Isto tudo acontece justamente porque nunca houve uma política para a imprensa regional. Nem vai haver tão cedo. O que vai haver são regras muito apertadas para estrangular de vez o jornalista e o jornalismo de proximidade. É a globalização, os grandes grupos de comunicação que perdem anualmente muito dinheiro para a imprensa regional de receitas publicitárias, e decidiram também ajudar o legislador a fazer mais pressão na bota que nos sufoca e tira o ar.

“É esta pressão e este medo constante, de uma forte retaliação a vários níveis, que nos empurra a todos para a beira do precipício…”

Temos tudo e todos contra nós. Mas a culpa desta situação não é só do sistema. É também nossa. Sempre vivemos à sombra da bananeira, no que tange os direitos e deveres da profissão e nunca quisemos saber nem tão pouco perder (ou investir) um pouco de tempo a pensar de como havemos de dar a volta ao texto. Como o povo diz, “para se dançar o tango, são precisos dois”, e nós fizemos a nossa parte, fomos o parceiro mais passivo desta dança. Deixámos que o parceiro ativo nos conduzisse e agora pode ser tarde demais.

No final, não somos só nós, profissionais do setor que perdemos. Perde o país e as pessoas, que deixam de contar com a primeira linha de defesa da democracia, em que somos os primeiros fiscais dos 308 municípios que o país tem. É factual que 80% das notícias sobre a corrupção e as más práticas da gestão dos dinheiros públicos, em organismos regionais (quase sempre as câmaras) que aparecem nas notícias nacionais, são de origem do jornalismo de proximidade, que em associação com os canais nacionais, guia-os para a difusão da possível corrupção, pois se muito do compadrio fosse denunciado pela imprensa de proximidade, vidas perigavam e jornais já tinham encerrado, sem falar dos processos em tribunal que os jornalistas regionais iriam ter que enfrentar.

É esta pressão e este medo constante, de uma forte retaliação a vários níveis, que nos empurra a todos para a beira do precipício, chegando agora a uma encruzilhada. Ou lutamos ou encerramos. Vamos a tempo? Não sei!

No próximo artigo, e conforme prometido no artigo anterior, vou argumentar de “Como se combate esta estratégia que visa afundar este setor”.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

“Museu de Lisboa apresenta”


"Olhó gelado", Fotografia de autor desconhecido Séc. XX - 2.ª metade, Museu de Lisboa/MC.FOT.3559

 

Com a cidade a aquecer, é tempo de desacelerar. Lentamente, vamo-nos entregando ao lazer e ao repouso, divagamos pela cidade despreocupadamente, como se fossemos turistas na nossa própria casa.

Entre as árvores dos jardins de um palácio ou num terraço no coração da colina com vista para o rio, contemplamos outros horizontes de Lisboa e deliciamo-nos com qualquer coisa que nos refresque, seja um doce ou a brisa das noites de verão.


 

Clitemnestra

 

Espetáculo • Teatro Romano

2 a 26.07 • Quarta a sábado • 21h 

O teatro clássico regressa ao sítio arqueológico do Teatro Romano de Lisboa com uma tragédia grega, encenada por Claudio Hochman, sobre uma mulher complexa e forte que conspira devagar para vingar as injustiças da sua vida e dos que lhe são próximos. Uma tragédia com toques de humor e muita música.

Saber mais em: https://museudelisboa.pt/pt/events/19646-espetaculo-clitemnestra/?eg_sub=3be5888b8d&eg_cam=08d76e59a4e46f21658fb3c6f99b30a8&eg_list=12

 


Sol & Pimenta

 

Música • Palácio Pimenta

5 e 12.07 • Sábado • 17h30

Aproveitamos dois finais de tarde descontraídos nos nossos jardins, acompanhados por jazz, soul, bossa nova e um refresco. À beira do lago, para desacelerar e aproveitar o calor de verão, temperado pelas sombras das árvores.

A música das Double Take Duo (5.07) e do dj set do Clube do cool e da cafeína (12.07) é a banda sonora para estes momentos de descontração.

Pode saber mais em: https://museudelisboa.pt/pt/events/19726-programa-sol-pimenta/?eg_sub=3be5888b8d&eg_cam=08d76e59a4e46f21658fb3c6f99b30a8&eg_list=12

 


Alval'arte

 

Música • Palácio Pimenta

18 e 25.07 • Sexta • 19h

Numa parceria entre vizinhos, o Museu de Lisboa - Palácio Pimenta aliou-se à Junta de Freguesia de Alvalade para proporcionar finais de tarde acompanhados de música ao vivo, até ao pôr do sol, no relvado do museu. Os Capitão Fausto (18.07) e os Dixie Gang (25.07) são as bandas convidadas para a edição deste ano!

Saber mais em: https://museudelisboa.pt/pt/events/8427-alvalarte/?eg_sub=3be5888b8d&eg_cam=08d76e59a4e46f21658fb3c6f99b30a8&eg_list=12

 


Quando o objeto transcende a função

 

Instalação artística • Teatro Romano

Inauguração 30.07 • Quarta • 18h

As cadeiras criadas por Antoine Breton vão muito além da sua função. São peças únicas que partem de modelos rígidos, interligados em desafios de equilíbrio. São planos conceptuais que se transformam em esculturas orgânicas e onde a montagem ultrapassa a necessidade técnica.

Pode saber mais em: https://museudelisboa.pt/pt/events/19747-instalacao-artistica-quando-objeto-transcende-funcao/?eg_sub=3be5888b8d&eg_cam=08d76e59a4e46f21658fb3c6f99b30a8&eg_list=12

Conheça toda a programação em: https://museudelisboa.pt/pt/events/activities/?timeline=current&eg_sub=3be5888b8d&eg_cam=08d76e59a4e46f21658fb3c6f99b30a8&eg_list=12

Fonte: Museu de Lisboa

“É JÁ NO PRÓXIMO DOMINGO QUE ARRANCA MAIS UM MÊS DE SOMERSBY OUT JAZZ NO PARQUE URBANO DE MIRAFLORES”


Por: Maria Francisca Espadinha

Este domingo o Somersby Out Jazz ruma já em direção ao Parque Urbano de Miraflores para muita música e animação

Julho chega com calor e, com ele, chega o Somersby Out Jazz que promete ser o refúgio ideal para quem procura domingos diferentes – envolvido por árvores e arbustos, o Parque Urbano de Miraflores será palco de muita música e descontração ao longo do mês – e a entrada é livre.

Espaço verde multifuncional, o Parque Urbano de Miraflores combina o que de melhor o concelho de Oeiras tem para oferecer: vistas de cortar a respiração, espaços de lazer e, agora, o palco do Somersby Out Jazz. Nos dias 6, 13, 20 e 27 deste mês, a partir das 17h e até ao pôr do sol, a música, a dança e a energia vão invadir este espaço, proporcionando fins de tarde imperdíveis.

Mantendo o espírito aberto que o caracteriza, o festival apresenta uma programação diversificada, pensada para agradar a diferentes gostos musicais. Este mês, brilham no cartaz do Somersby Out Jazz nomes sonantes da cultura musical como SUBNOIA, Vicente Oliveira Trio ou o DJ Décio, na promessa de um mês perfeito para os amantes de boa música, bom ambiente e muita animação. E porque cada domingo é uma verdadeira celebração, o Out Jazz torna-se ainda mais especial com o apoio dos Sunday Sponsors - Bico Amarelo e Montebelo Brasil - os aliados perfeitos para brindar nos dias mais longos com sabores refrescantes e momentos inesquecíveis.

Mais informações, novidades ou consulta do cartaz completo, basta aceder ao site oficial do festival, ler o QR Code presente no cartaz ou consultar as redes sociais do Somersby Out Jazz. Preparado para mais um mês a animar os finais de domingo no concelho de Oeiras, o Somersby Out Jazz regressa com muita música e as vibrações de sempre. 

 

Programação de julho:

 

6 de julho

• SUBNOIA;

• John Player Special.

 

13 de julho

• Vicente Oliveira Trio;

• DJ KI.

 

20 de julho

• YA SIN;

• Décio.

 

27 de julho

• GILHERME FRADINHO Quinteto;

• MdM.

Fonte: MARIE – PR & Brand Consulting