domingo, 17 de novembro de 2024

“Pessoas com ansiedade têm o dobro da probabilidade de desenvolver Parkinson”


As pessoas com ansiedade têm o dobro do risco de desenvolver a doença de Parkinson em comparação com os seus pares não ansiosos, de acordo com um novo estudo de grande dimensão realizado no Reino Unido.

Os investigadores da University College London (UCL) utilizaram dados de quase 988 000 pacientes com 50 anos ou mais, entre 2008 e 2018, para identificar de que forma a ansiedade afeta o risco de Parkinson, tendo em conta outros fatores conhecidos, como a idade, o sexo, o isolamento social, a doença mental grave, a demência, o traumatismo craniano e o estilo de vida.

Os investigadores descobriram que os doentes a quem foi diagnosticada ansiedade pela primeira vez quando eram adultos mais velhos tinham duas vezes mais probabilidades de vir a desenvolver Parkinson, o que sugere que pode ser um sinal de alerta precoce da doença neurodegenerativa.

Este facto é significativo porque os médicos nem sempre têm em conta o historial de ansiedade de um doente quando o avaliam para a doença de Parkinson. Os critérios de diagnóstico da doença de Parkinson no Reino Unido, por exemplo, centram-se nos problemas motores.

"Infelizmente, não se trata de uma linha rígida e rápida, mas é por isso que esta investigação é muito boa, porque dá mais justificação para que a ansiedade seja uma questão inicial", disse Amelia Hursey, diretora de investigação da Parkinson's Europe, à Euronews Health.

Entre os doentes com ansiedade incluídos no estudo, um conjunto de sintomas também foi associado a um maior risco de Parkinson. Estes incluíam depressão, problemas de sono, fadiga, deficiência cognitiva, tensão arterial baixa, obstipação e problemas motores como tremores, rigidez e problemas de equilíbrio - mas não dores nos ombros, tonturas, disfunção erétil ou urinária.

Foi necessária uma média de 4,9 anos após o médico ter notado pela primeira vez a ansiedade de um doente para que este fosse diagnosticado com Parkinson.

Os resultados, publicados no British Journal of General Practice, poderão ajudar os médicos a identificar os doentes com maior risco de Parkinson, acelerando potencialmente o diagnóstico e melhorando o tratamento nas fases iniciais.

Hursey afirmou que, para os investigadores, os diagnósticos mais precoces podem oferecer pistas sobre a raiz do problema, uma vez que não há cura para a doença de Parkinson.

A doença de Parkinson é uma das doenças neurodegenerativas mais comuns, afectando cerca de 11,8 milhões de pessoas em todo o mundo. Os diagnósticos são mais comuns em pessoas mais velhas, homens e pessoas com um estatuto socioeconómico mais elevado, e a prevalência aumentou nos últimos 25 anos.

De acordo com a Parkinson's Foundation, a ansiedade é um sintoma comum da doença de Parkinson que resulta de alterações na química do cérebro e não apenas de uma reação ao diagnóstico. Outros estudos demonstraram que a ansiedade pode limitar a qualidade de vida dos doentes de Parkinson e aumentar o fardo dos seus prestadores de cuidados.

Mesmo assim, os investigadores da UCL afirmaram que não se sabe o suficiente sobre a forma como a ansiedade recentemente desenvolvida - e a gravidade da ansiedade das pessoas - pode afetar o seu risco de Parkinson à medida que envelhecem.

As pessoas com ansiedade não devem preocupar-se com o desenvolvimento de Parkinson, advertiu Hursey. Pelo contrário, os resultados indicam que a ansiedade se enquadra no "conjunto completo de sintomas" decorrentes da doença.

"Cada pequena informação sobre a experiência vivida por pessoas com Parkinson, ou por pessoas que possam estar em risco elevado de Parkinson, é crucial para darmos um passo em frente na compreensão dos mecanismos subjacentes", afirmou Hursey.

Fonte: Euronews Português

sábado, 16 de novembro de 2024

“Número de adultos diabéticos no mundo mais do que quadruplicou em 30 anos”


Por: JML (PC) // JMR

Foto: EPA

O número de adultos diabéticos no mundo ultrapassou os 800 milhões, mais do que quadruplicou desde 1990, segundo um estudo hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que alerta para “um aumento alarmante” da diabetes.

A análise da rede mundial de cientistas da área da saúde NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC), com o apoio da OMS, defende a “necessidade urgente de uma ação global mais forte” para combater “a epidemia da diabetes” e alargar o tratamento.

“Para controlar a epidemia global de diabetes, os países devem tomar medidas urgentes: deteção precoce e tratamento”, salienta o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado em comunicado.

De acordo com o responsável, tem-se assistido “a um aumento alarmante da diabetes nas últimas três décadas”.

Esse aumento "reflete o aumento da obesidade, agravado pelos impactos da comercialização de alimentos não saudáveis, pela falta de atividade física e pelas dificuldades económicas”, sustenta.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, no âmbito do Dia Mundial da Diabetes, refere que a prevalência global da diabetes em adultos aumentou de 7% para 14% entre 1990 e 2022.

Os países em desenvolvimento “registaram os maiores aumentos”, enquanto o acesso ao tratamento permanece persistentemente baixo.

Em 2022, quase 450 milhões de adultos com 30 anos ou mais – cerca de 59% dos adultos com diabetes – permaneceram sem tratamento, assinalando um aumento de 3,5 vezes no número de pessoas não tratadas desde 1990.

O estudo sublinha que 90% dos adultos não tratados vivem em países em desenvolvimento. O Sudeste Asiático, o Mediterrâneo Oriental e a Região Africana da OMS apresentam as taxas mais baixas de cobertura do tratamento da diabetes, apenas cerca de quatro em cada dez diabéticos tomam medicamentos para baixar a glicose.

Para dar resposta ao crescente número de adultos com diabetes, a OMS apresenta hoje também “um novo quadro de monitorização global”, que representa “um passo crucial na resposta global, fornecendo uma orientação abrangente aos países na medição e avaliação da prevenção, cuidados, resultados e impactos”.

“Esta abordagem padronizada permite aos países priorizar os recursos de forma eficaz, impulsionando melhorias significativas na prevenção e nos cuidados da diabetes”, realça.

Em 2022, a OMS estabeleceu cinco metas globais de cobertura da diabetes a atingir até 2030. Uma dessas metas é garantir que 80% das pessoas com diabetes diagnosticada atinjam um bom controlo glicémico.

O ensaio da NCD-RisC é a primeira análise global das tendências das taxas de diabetes e da cobertura do tratamento, baseando-se em dados de mais de 140 milhões de pessoas com 18 anos ou mais, incluídos em mais de 1.000 estudos que abrangem populações de todos os países.

Em Portugal, cerca de 75 mil pessoas foram diagnosticadas com diabetes em 2023, elevando para mais de 900 mil o total de diabéticos registados nos cuidados de saúde primários, o valor mais elevado de sempre no país.

Os dados constam do relatório de 2024 do Programa Nacional para a Diabetes (PND) da Direção-Geral da Saúde (DGS), que será hoje apresentado e que indica que em 2023 foram registados 75.661 novos diagnósticos da doença em Portugal continental.

Fonte: Lusa

“Portugal em 2.º lugar no Festival Eurovisão Júnior”


Por: Duarte Lago

Victoria Nicole, representante de Portugal na Eurovisão Júnior, ficou em segundo lugar na edição deste ano do festival, que se realizou na cidade de Madrid, em Espanha. Somou um total de 213 pontos. O país vencedor foi a Geórgia.

A jovem, de 14 anos, levou a palco o tema “Esperança”, depois de ter ganho o The Voice Kids, da RTP1, que lhe valeu um passaporte para o festival.

A canção que interpretou foi composta por ela própria, juntamente com Nininho Vaz Maia, seu mentor no programa, e Bárbara Tinoco.

De lembrar que, conforme vinha sendo noticiado nos últimos dias, Victoria Nicole surgia à frente numa sondagem internacional que tinha como objetivo perceber quem é que poderia ganhar a Eurovisão Júnior.

Na votação do público, até se confirmou esse favoritismo, mas na votação do júri Portugal ficou-se pelo quarto lugar, enquanto a Geórgia foi primeira, o que no somatório dos pontos acabou por fazer a diferença.

Victoria Nicole nasceu na Venezuela, mas mudou-se para Portugal ainda durante a infância, aos oito anos.

Fonte: Rádio Geice