Por: Nuno Morais Capelo
As obras de recuperação da conectividade
fluvial do rio Erges, uma intervenção integrada no projeto LIFE Alnus Taejo, já
se iniciaram, estando previsto que esta empreitada decorra ao longo de todo o
período estival.
Esta ação representa um passo decisivo para os
ecossistemas fluviais da bacia do Tejo, aplicando soluções que articulam
engenharia, restauro ecológico e salvaguarda do património natural e cultural.
O objetivo principal centra-se na melhoria do estado de conservação dos bosques
aluviais e da biodiversidade associada.
Os trabalhos em curso consistem na remoção
integral dos elementos desativados de dois antigos açudes obsoletos situados na
envolvente do rio Erges, próximo da ponte romana de Segura. Estas estruturas
interrompem atualmente o fluxo natural da água e criam barreiras à fauna. A
eliminação destes obstáculos vai restabelecer o livre escoamento do rio, a circulação
de sedimentos e a mobilidade das espécies aquáticas, beneficiando diretamente
cerca de 70 quilómetros deste curso de água internacional e ligando-o com maior
eficácia aos seus afluentes e ao próprio rio Tejo.
A relevância ecológica da intervenção é
demonstrada pelos trabalhos de monitorização já realizados na zona. Durante as
amostragens, a equipa do Serviço de Pesca da Junta da Extremadura identificou
exemplares de verdemã-do-Alagón (Cobitis vettonica). Esta espécie endémica e
classificada como ameaçada de extinção depende exclusivamente de habitats bem
conservados e demonstra alta sensibilidade à fragmentação das linhas de água, o
que valida a necessidade de restabelecer a continuidade do leito do rio.
Este projeto técnico resulta de um amplo
consenso institucional e transfronteiriço entre Portugal e Espanha. O plano foi
delineado após visitas técnicas e reuniões de trabalho que envolveram os
parceiros do projeto, nomeadamente a Universidade de Évora, a Universidade
Politécnica de Madrid e as empresas Ambienta e EcoSalix, a par de entidades
oficiais de ambos os países. Entre os participantes contam-se a Câmara
Municipal de Idanha-a-Nova, a União de Freguesias de Zebreira e Segura, a
Agência Portuguesa do Ambiente (APA – ARH do Tejo e Oeste), o Instituto da
Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Confederação Hidrográfica do
Tejo, o Serviço de Pesca da Junta da Extremadura e a Direção-Geral da Água de
Espanha.
A intervenção do rio Erges tem por objetivo
assegurar o equilíbrio entre a reabilitação ambiental, as exigências de
segurança decorrentes dos estudos de modelação hidráulica e a preservação da
identidade local. Desta forma, os antigos moinhos históricos associados às
barreiras manterão o seu valor patrimonial salvaguardado. O progresso ambiental
da obra continuará a ser avaliado de forma contínua através de um protocolo de
monitorização focado na qualidade da água, nos macroinvertebrados, nos
macrófitos e na comunidade de peixes, comparando o estado do rio antes e após a
conclusão dos trabalhos.
Fonte: Câmara Municipal Idanha-a-Nova

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