segunda-feira, 3 de agosto de 2026

“Doenças cardíacas hereditárias: o perigo silencioso que pode surgir na idade adulta”


Por: José Morais

As doenças cardíacas de origem genética são mais frequentes do que muitos imaginam e, apesar de poderem passar despercebidas durante a infância, tornamse evidentes em muitos adultos. A avaliação por um cardiologista especializado é decisiva para identificar precocemente alterações que podem comprometer a saúde cardiovascular.

 

O que são e porque surgem na idade adulta

 

As doenças cardíacas hereditárias resultam de alterações genéticas que afetam a estrutura ou o funcionamento do coração. Podem ser transmitidas de geração em geração e, apesar de estarem presentes desde o nascimento, muitas só se manifestam mais tarde, quando o coração começa a revelar sinais de esforço ou desgaste.

Estas patologias variam em gravidade, mas representam um risco significativo, sobretudo porque podem provocar arritmias, insuficiência cardíaca ou, em casos extremos, morte súbita.

 

As doenças hereditárias mais frequentes

 

Miocardiopatia hipertrófica o músculo cardíaco tornase anormalmente espesso, dificultando a circulação do sangue e aumentando o risco de arritmias.

Miocardiopatia dilatada o coração dilata e perde força de contração, podendo evoluir para insuficiência cardíaca.

Síndrome de Marfan afeta o tecido conjuntivo e pode provocar dilatação da aorta, uma condição grave se não for monitorizada.

Miocardiopatia arritmogénica altera o músculo do ventrículo direito ou esquerdo, favorecendo arritmias potencialmente perigosas.

Síndrome de WolffParkinsonWhite presença congénita de uma via elétrica extra no coração, que pode desencadear taquicardias.

 

Sinais de alerta que não deve ignorar

 

Identificar estas doenças pode ser difícil, porque muitos sintomas são subtis. No entanto, alguns indícios merecem atenção:

História familiar de morte súbita, enfarte precoce ou uso de pacemaker.

Sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações, tonturas, desmaios ou fadiga intensa.

Alterações durante o exercício desmaios ou tonturas ao praticar atividade física, sobretudo em jovens, devem ser investigados.

 

Como se faz o diagnóstico

 

Os exames de rotina, como eletrocardiograma e ecocardiograma, são essenciais para detetar alterações estruturais ou elétricas. Quando existe suspeita de origem genética, o cardiologista pode recomendar testes genéticos, que ajudam a identificar a doença e a avaliar o risco de outros familiares.

Em alguns casos, o especialista poderá encaminhar o doente para Genética Médica, garantindo uma avaliação completa e orientada.

 

A importância do acompanhamento especializado

 

Consultar um cardiologista com experiência em doenças hereditárias permite:

Avaliação detalhada da história clínica e exames complementares.

Plano de tratamento individualizado que pode incluir medicação, ajustes no estilo de vida ou intervenções específicas.

Acompanhamento regular para monitorizar a evolução da doença.

Educação e prevenção orientação sobre dieta, exercício e controlo de fatores de risco como hipertensão, diabetes ou colesterol.

 

Um passo que pode salvar vidas

 

Se suspeita que pode ter uma doença cardíaca hereditária, procure avaliação médica especializada. A deteção precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para garantir uma vida mais longa e saudável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário