Por: José Morais
As doenças cardíacas de origem
genética são mais frequentes do que muitos imaginam e, apesar de poderem passar
despercebidas durante a infância, tornam‑se
evidentes em muitos adultos. A avaliação por um cardiologista especializado é
decisiva para identificar precocemente alterações que podem comprometer a saúde
cardiovascular.
O que são
e porque surgem na idade adulta
As doenças cardíacas
hereditárias resultam de alterações genéticas que afetam a estrutura ou o
funcionamento do coração. Podem ser transmitidas de geração em geração e,
apesar de estarem presentes desde o nascimento, muitas só se manifestam mais
tarde, quando o coração começa a revelar sinais de esforço ou desgaste.
Estas patologias variam em
gravidade, mas representam um risco significativo, sobretudo porque podem
provocar arritmias, insuficiência cardíaca ou, em casos extremos, morte súbita.
As
doenças hereditárias mais frequentes
Miocardiopatia hipertrófica o
músculo cardíaco torna‑se
anormalmente espesso, dificultando a circulação do sangue e aumentando o risco
de arritmias.
Miocardiopatia dilatada o
coração dilata e perde força de contração, podendo evoluir para insuficiência
cardíaca.
Síndrome de Marfan afeta o
tecido conjuntivo e pode provocar dilatação da aorta, uma condição grave se não
for monitorizada.
Miocardiopatia arritmogénica
altera o músculo do ventrículo direito ou esquerdo, favorecendo arritmias
potencialmente perigosas.
Síndrome de Wolff‑Parkinson‑White presença congénita de
uma via elétrica extra no coração, que pode desencadear taquicardias.
Sinais de
alerta que não deve ignorar
Identificar estas doenças pode
ser difícil, porque muitos sintomas são subtis. No entanto, alguns indícios
merecem atenção:
História familiar de morte
súbita, enfarte precoce ou uso de pacemaker.
Sintomas como falta de ar, dor
no peito, palpitações, tonturas, desmaios ou fadiga intensa.
Alterações durante o exercício
desmaios ou tonturas ao praticar atividade física, sobretudo em jovens, devem
ser investigados.
Como se
faz o diagnóstico
Os exames de rotina, como
eletrocardiograma e ecocardiograma, são essenciais para detetar alterações
estruturais ou elétricas. Quando existe suspeita de origem genética, o
cardiologista pode recomendar testes genéticos, que ajudam a identificar a
doença e a avaliar o risco de outros familiares.
Em alguns casos, o
especialista poderá encaminhar o doente para Genética Médica, garantindo uma
avaliação completa e orientada.
A
importância do acompanhamento especializado
Consultar um cardiologista com
experiência em doenças hereditárias permite:
Avaliação detalhada da
história clínica e exames complementares.
Plano de tratamento
individualizado que pode incluir medicação, ajustes no estilo de vida ou
intervenções específicas.
Acompanhamento regular para
monitorizar a evolução da doença.
Educação e prevenção
orientação sobre dieta, exercício e controlo de fatores de risco como
hipertensão, diabetes ou colesterol.
Um passo
que pode salvar vidas
Se suspeita que pode ter uma
doença cardíaca hereditária, procure avaliação médica especializada. A deteção
precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para garantir uma vida
mais longa e saudável.

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