domingo, 4 de janeiro de 2026

“Stresse, um dos maiores desafios de saúde do século XXI. “É uma epidemia global”


Por: Maria João Pinheiro, Psicóloga e Coordenadora de Psicologia do CNS – Campus Neurológico de Torres Vedras

Foto: Freepik/wayhomestudio

Em 2019, a Organização Mundial de Saúde classificou o stresse como um dos maiores desafios de saúde do século XXI, vendo-o como uma epidemia global. Para além de um limiar aceitável, o stresse corrói os nossos dias. É fonte de perturbação física e emocional. Há, pois, que apostar no autocuidado, na construção de uma rede de suporte social ou mesmo no apoio do profissional de saúde. Conversámos com Maria João Pinheiro, Psicóloga e Coordenadora de Psicologia do CNS – Campus Neurológico de Torres Vedras.

Não raro, escutamos a expressão “estou stressado/a”, quando nos encontramos perante uma situação de tensão, de ansiedade, de exaustão. Como forma de contextualizarmos a questão, como se define stress em termos médicos?

Sim, deixo-lhe a definição que nos é dada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta, define o stresse como um estado de preocupação ou tensão causado por uma situação desafiante, caracterizando-se como uma resposta adaptativa do ser humano que lhe permite lidar com os desafios e ameaças, ao longo da vida. Em 2019, a OMS classificou o stresse como um dos maiores desafios de saúde do século XXI, descrevendo-o como uma epidemia global.


Há situações em que o stresse moderado, pontual, pode ser positivo? Nomeadamente, poderá ajudar-nos a ultrapassar desafios?

Todos nós, em algum momento, já experienciamos a sensação de stresse no nosso dia a dia. No entanto, a forma como cada um de nós lida com o stresse é que constitui a grande diferença para o bem-estar de cada um. De forma global, o stresse, quando moderado, é uma resposta adaptativa que nos torna capazes de enfrentar os desafios e ameaças que vão aparecendo no quotidiano, podendo ser benéfica e útil.

 

O temperamento e a personalidade do indivíduo influenciam diferentes reações ao stresse?

 

 

Sim, o temperamento e a personalidade de cada indivíduo moldam e influenciam a forma como cada pessoa se comporta e reage em cada momento, de acordo com as suas características individuais. Deste modo, ambos vão influenciar a perceção e a experiência que cada um de nós vai ter perante uma situação de stresse.

Por exemplo, tipos de personalidade mais associadas a emoções negativas e ansiedade, tendem a estar correlacionadas com reações mais intensas ao stresse. Por outro lado, traços de personalidade mais relacionados com a resiliência e o otimismo podem definir-se como fatores de proteção face ao stresse.

 

Quais os sinais que nos deveriam levar a preocupar com as consequências do stresse nas nossas vidas?

 

O stresse pode manifestar-se de diversas formas, incluindo através de sintomas físicos como dores de cabeça, dor de estômago ou outra dor física, sintomas emocionais, como por exemplo, sentir-se mais ansioso ou irritado e/ou comportamentais, como dificuldades de concentração, alterações no apetite ou no sono e/ou aumento do consumo de substâncias como álcool ou tabaco.

Relativamente à saúde mental, o stresse pode ser um fator de risco ou manutenção para a ansiedade e depressão e contribuir igualmente para alterações de humor.

 

O stresse continuado tem implicações na nossa saúde física e mental. Quer, por favor, detalhar esta questão?

 

Para além dos sintomas descritos anteriormente, que causam desconforto e impacto no bem-estar global do indivíduo, sabe-se que a exposição prolongada a situações de stresse, ou o uso de estratégias desadaptativas para lidar com este, podem ter consequências na nossa saúde, podendo potenciar ou exacerbar condições de saúde física e psicológica já existentes. A nível físico, as patologias mais frequentes prendem-se a doenças cardiovasculares, problemas gastrointestinais, lesões musculares e alterações no sono.

Relativamente à saúde mental, o stresse pode ser um fator de risco ou manutenção para a ansiedade e depressão e contribuir igualmente para alterações de humor. O stresse pode também manifestar-se nos vários contextos da nossa vida, como o trabalho, evidenciando-se através de problemas de concentração e memória ou, em condições mais complexas, em casos de burnout.

 

O stress também afeta crianças e jovens. Como podemos preparar as novas gerações para gerirem melhor o stresse desde cedo?

 

De forma a capacitar as nossas crianças e jovens para melhor gerir o seu stresse devemos apostar na educação e literacia para a saúde mental, no conhecimento e aprendizagem de ferramentas transversais ao longo da vida, como estratégias de coping, de resolução de problemas e estratégias de regulação emocional.

A sobreproteção e a não exposição a situações de stresse, que podem parecer à partida uma forma de as proteger, pode ter consequências a longo prazo na sua autonomia e autoconfiança.

Associado à educação das crianças, os pais e educadores devem também ser capacitados com estratégias e ferramentas de gestão de stresse. Especialmente em crianças mais novas, estes são as principais fontes de interação e o contexto de aprendizagem e imitação de comportamentos.

A prática de exercício físico regular, a construção de uma rede de suporte social com relações saudáveis e o acesso a profissionais de saúde, devem também ser medidas a implementar para ajudar as crianças e jovens.

Apostar no autocuidado, com a adoção de hábitos saudáveis de sono, alimentação e atividade física regular, também se revelam um caminho positivo no combate ao stresse.

 

Que comportamentos individuais podemos assumir para diminuir/mitigar o stresse nos nossos dias?

 

Por exemplo, estabelecer limites importantes para o bem-estar, e definir rotinas diárias, pode ajudar-nos a gerir melhor o nosso tempo e aumentar a nossa sensação de controlo.

Apostar no autocuidado, com a adoção de hábitos saudáveis de sono, alimentação e atividade física regular, também se revelam um caminho positivo no combate ao stresse.

Acresce a construção de uma rede de suporte social. A partilha do que estamos a sentir, com pessoas em quem confiamos, pode ser uma forma de minimizar o stresse. Ter alguém que nos oiça, compreenda e nos dê sugestões e ou conselhos, pode fazer-nos sentir melhor.

 

Chega o momento em que há que procurar apoio profissional para mitigar o stresse. Neste contexto, qual é o papel do profissional de saúde?

 

Podemos contar com o apoio de diversos profissionais de saúde em função do contexto onde ocorre este pedido. Em larga escala, o médico de família ou profissionais de saúde de especialidades, muitas vezes são o ponto de partida para a referenciação e encaminhamento para os profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras.

Já em consulta de Psicologia, o psicólogo trabalha em conjunto com a pessoa, de modo a identificar, compreender e gerir as situações e/ou fatores que desencadeiam ou potenciam o stresse, promovendo estratégias adaptativas para que esta possa reduzir os níveis de stresse atual, mas também criando ferramentas de capacitação a longo prazo.

 

Atualmente, deparamo-nos com dispositivos e apps que se propõem ajudar a monitorizar ou gerir o stresse de forma eficaz. Como encara estes auxiliares de gestão de stresse?

 

Muitos dos dispositivos ou apps que se propõem a ajudar surgem como ferramentas que, pelo seu fácil acesso, nos podem ajudar a monitorizar os sintomas físicos associados ao stresse e reforçar a prática de comportamentos que incentivam o autocuidado e hábitos de vida mais saudáveis, através de lembretes e reforços positivos.

Embora numa primeira análise possam potenciar o autoconhecimento e a autoconsciência dos seus utilizadores, e consequentemente promover uma mudança de comportamento, é importante que esta mudança aconteça num ambiente favorável à mesma. O utilizador deve estar capacitado com estratégias e informação para que as possa implementar de forma individualizada, usando ferramentas e expectativas ajustadas ao seu contexto. Contrariamente, esta promoção de autoconsciência e automonitorização, quando associada a um utilizador sem ferramentas, pode ter um impacto negativo no seu bem-estar, podendo até exacerbar os níveis de stresse e ansiedade.

Podemos assumir o seu benefício a curto prazo, enquanto soluções rápidas e acessíveis, que abrangem uma grande parte de utilizadores, contudo devem ser integradas como parte de uma abordagem multifatorial, em conjunto com a atuação de um profissional de saúde.

 

O campo da investigação médica está permanentemente a entregar-nos novos caminhos no combate à doença. Neste campo em específico, quer destacar alguns avanços que lhe pareçam pertinentes?

 

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) tem tido um papel ativo na promoção e no desenvolvimento da investigação sobre o stresse em Portugal, com várias iniciativas que destacam a importância da saúde mental e da gestão do stresse. Medidas como campanhas de sensibilização e educação, promoção de boas práticas e programas de prevenção nos diversos contextos (trabalho, escolas, e na saúde pública), formação e desenvolvimento dos psicólogos, publicação de guias práticos de ferramentas para psicólogos e para o público em geral (baseados em investigação científica e adaptados à realidade cultural e social de Portugal) destacam-se como ações que contribuem para uma maior compreensão da temática e facilita o acesso do público geral a informação fidedigna e atualizada, atuando de forma preventiva e promotora da saúde mental.

Fonte: Sapo on-line Saúde

sábado, 3 de janeiro de 2026

“Museu da Amadora | Atividades em janeiro”


No primeiro mês de 2026 – janeiro, o Museu da Amadora, que integra, além do Núcleo Museológico do Casal da Falagueira núcleo sede e do Núcleo Museológico da Necrópole de Carenque, também o Núcleo Museológico do Moinho do Penedo, as Reservas Culturais e a Casa Roque Gameiro, promove diversas atividades.

Conheça-as de seguida:

■ 14 de janeiro (quarta-feira) | Visita orientada ao Núcleo Museológico do Casal da Falagueira

Horário: 15h00/16h30

Sinopse: Visita orientada ao Casal da Falagueira de Cima, um casal quinhentista com vários núcleos expositivos permanentes e uma exposição temporária “A Festa da Árvore na Amadora. 1909, 1910 e 1913”.

Destinatários: Famílias e participantes individuais

Local: Núcleo Museológico do Casal da Falagueira

Custo: 2€/pessoa | Gratuito para crianças e jovens até aos 17 anos

■ 14 de janeiro (quarta-feira) | Mesa Redonda “Naturalismo e Paisagem Urbana”

Horário: 18h00

Sinopse: No âmbito da exposição temporária “Modelos Vivos da Lisboa Velha. Alfredo Roque Gameiro” patente ao público na Casa Roque Gameiro, que celebra o centenário da primeira edição do álbum Lisboa Velha (1925), e em parceria com o Gabinete de Estudos Olisiponenses, irá decorrer no dia 14 de janeiro, no Palácio Beau Séjour, uma mesa-redonda intitulada “Naturalismo e Paisagem Urbana”, com os seguintes oradores: Maria de Aires Silveira (IHA-FCSH) – “O Carola da aguarela, em Lisboa” e Paulo Simões Rodrigues (IHA-FCSH) – “A Cidade como monumento: O “Lisboa Velha” enquanto construção de uma memória urbana”.

Local: Gabinete de Estudos Olisiponenses (Estada de Benfica, nº 368)

Entrada livre

■ 21 de janeiro (quarta-feira) | Visita orientada à Casa Roque Gameiro

Horário: 15h00/16h30

Sinopse: Visita à casa Roque Gameiro e à exposição temporária “Modelos Vivos da Lisboa Velha. Alfredo Roque Gameiro”.

Destinatários: Famílias e participantes individuais

Local: Casa Roque Gameiro

Custo: 2€/pessoa | Gratuito para crianças e jovens até aos 17 anos

■ Ano letivo 2025/2026 | “Museu em Ação” e “Venha conhecer os cantos à Casa”

Realização de oficinas diversas.

Visitas orientadas: Necrópole de Carenque, Villa romana da Quinta da Bolacha, Núcleo Museológico do Casal da Falagueira, Núcleo Museológico do Moinho do Penedo e Casa Roque Gameiro

Horário: 3.ª a 6.ª feira, às 10h00 e às 14h30

Estas atividades são gratuitas para as escolas públicas do Município, durante o período escolar, no máximo de 2 por turma e por equipamento e instituições de solidariedade social, no máximo de 2 por utente e por equipamento.

Destina-se a escolas e grupos organizados

As atividades são pagas, exceto as indicadas, e necessitam de inscrição prévia por email (museu@cm-amadora.pt) ou por telefone (214 369 090).

Deve ser indicado o nome completo do participante e o contacto telefónico.

As inscrições devem ser feitas até 48 horas da data da sua realização, ou conforme indicado.

As desistências devem ser comunicadas no mínimo com 24 horas de antecedência, sob pena de impedimento de inscrição noutras atividades.

Toda a programação e horários podem sofrer alterações sem aviso prévio.

Núcleo Museológico do Casal da Falagueira

Parque Aventura, Beco do Poço, 2700-000 Amadora

Horário: Terça-feira a sábado, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00 | domingos, das 14h30 às 17h30 | Aberto aos feriados

Casa Roque Gameiro

Praceta 1.º de Dezembro, n.º 2, 2700-672 Amadora

Horário: Terça-feira a sábado, das 10h00 às 17h30 | domingos, das 14h30 às 17h30 | Aberto aos feriados

Núcleo Museológico do Moinho do Penedo

Rua Dr. Azevedo Neves, Alto do Penedo

Núcleo Museológico da Necrópole de Carenque

Topo da Av. Luis de Sá

Horário: sábado, das 14h00 às 18h00 e domingo, das 09h00 às 14h00 (Verão) | sábado, das 13h00 às 17h00 e domingo, das 10h00 às 15h00 (Inverno)

Encerrado nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e 1 de janeiro.

Enquadrado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Fonte: Câmara Municipal Amadora

“Infeções urinárias sem tabus. O que são, como se previnem e como se tratam?”


As infeções urinárias são muito comuns nas mulheres e podem causar ardor, urgência em urinar e desconforto. Saber reconhecer os sintomas, tratar corretamente e adotar hábitos preventivos é essencial para manter a saúde íntima e evitar recorrências.

Sabia que as infeções urinárias estão entre as infeções bacterianas mais comuns em todo o mundo? Apesar de não existirem muitos dados sobre a realidade portuguesa, um estudo europeu revelou que 1 em cada 5 mulheres adultas terá pelo menos um episódio ao longo da vida. E, nos EUA, estima-se que mais de metade das mulheres tenha tido uma infeção urinária alguma vez, sendo que 1 em cada 3 já passou por isso antes dos 24 anos. Ou seja: não está sozinha se já lidou com esta chatice.

 

O que é, afinal, uma infeção urinária?

 

De forma simples, é quando bactérias normalmente vindas do intestino chegam à bexiga e provocam inflamação. A campeã destas infeções é a Escherichia coli, responsável por 70% a 90% dos casos. O problema pode afetar apenas a bexiga (cistite), mas também pode subir até aos rins (pielonefrite), o que exige mais cuidado.

 

A entrada das bactérias no trato urinário pode ser favorecida por alguns fatores como:

 

Relações sexuais (sobretudo se não urinar logo a seguir);

Uso de espermicidas ou diafragma;

Higiene íntima feita de trás para a frente (movendo bactérias para a uretra);

Ficar muito tempo sem urinar;

Alterações hormonais ou na flora vaginal;

Roupa apertada ou tecidos pouco respiráveis.

 

Sintomas a que deves estar atenta

 

Antes de surgirem os sintomas, as infeções urinárias começam geralmente com a entrada e multiplicação de bactérias na bexiga, provocando inflamação e desconforto. É importante que estejam atentas aos sinais de alerta mais comuns, como ardor ou dor ao urinar, vontade frequente e urgente de ir à casa de banho mesmo que saia pouca urina, urina turva ou com cheiro forte e dor na zona inferior da barriga.

Em situações mais graves, pode surgir febre e dor lombar, o que pode indicar que a infeção chegou aos rins. Nestes casos, não se deve adiar e é fundamental procurar ajuda médica de imediato.

 

Como se trata?

 

A cistite não complicada é normalmente tratada com antibióticos específicos, prescritos após avaliação médica. Em alguns casos, analgésicos ou anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar o desconforto. Não interrompa o tratamento antes do tempo, mesmo que os sintomas melhorem é essencial para evitar resistências.

 

Nem sempre é possível evitar uma infeção urinária, mas há hábitos que reduzem muito o risco:

 

Beber mais líquidos, especialmente água, para ajudar expelir as bactérias;

Não atrase a ida à casa de banho quando sente vontade;

Limpar-se sempre de frente para trás após urinar ou evacuar;

Urinar logo após a relação sexual;

Evitar duches vaginais e produtos agressivos na higiene íntima;

Optar por roupa interior de algodão e evitar peças muito apertadas;

Reduzir ou evitar o uso de espermicidas e diafragma, se tem infeções recorrentes.

 

E quanto aos suplementos?

 

Alguns produtos com arando vermelho e D-manose podem ajudar a prevenir, pois dificultam a adesão da E. coli à bexiga. Há também probióticos e imunoprofilaxia que podem ser recomendados em casos de infeções recorrentes, sempre com orientação médica.

Ninguém tem tempo para travar guerras com a bexiga. Conhecer os sinais, tratar logo e apostar na prevenção é meio caminho andado para manter as bactérias longe.

Já sabe: mais água, bons hábitos e… xixi depois do sexo a bexiga vai agradecer.

Fonte: Sapo on-line Saúde