domingo, 4 de maio de 2025

“Ataxia de Friedreich: desafios e necessidades da investigação”


Estima-se que a prevalência média na população europeia da Ataxia de Friedreich seja inferior a dois casos por cada 50.000 habitantes. Um artigo de opinião de Joaquim Brites, Presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN)

 

Por: Por: Joaquim Brites, Presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN)

No momento em que o tema das doenças raras é abordado com tanta frequência e nas mais diversas ocasiões, é importante não esquecermos aquelas cujos desafios se vão intensificando graças às notícias mais recentes que falam sobre o futuro. A Ataxia de Friedreich (AF) é uma doença neuromuscular, rara, genética, hereditária, progressiva e ainda sem uma cura conhecida. Causada por uma mutação no gene FXN, que reduz a produção de uma proteína que é essencial ao funcionamento das mitocôndrias, a frataxina, cuja ausência provoca danos progressivos e irremediáveis no sistema nervoso, apresenta dificuldades diversas, como problemas motores, diabetes, alguns problemas cardíacos, entre outros. Não sendo a única forma de Ataxia conhecida, estima-se que a sua prevalência média na população europeia seja inferior a dois casos por cada 50.000.

Alguns dos desafios que são enfrentados pelos seus portadores incluem um diagnóstico tardio e difícil devido à raridade da doença e à semelhança dos sintomas com outras condições neurológicas. Muitos destes pacientes enfrentam um longo caminho até obterem um diagnóstico preciso. Outra consequência é a sua progressão Irreversível uma vez que, com o passar do tempo, os sintomas agravam-se levando à perda progressiva da coordenação motora e, muitas vezes, à necessidade de utilização de cadeira de rodas ou outros apoios de marcha. Para além disso, podem surgir complicações cardíacas que podem reduzir significativamente a expectativa de vida.

Na atualidade, a expectativa destes doentes em relação às soluções que o futuro lhes reserva, tem mobilizado mais equipas de investigadores e um maior número de grupos de discussão em seu redor. Curiosament e, os resultados obtidos por esse movimento, que já atinge um nível internacional, têm permitido imaginar que muitas promessas feitas até hoje, se podem t ransformar rapidamente em respostas concretas que alimentem uma esperança renovada na aprovação de novas terapias capazes de interromper ou reverter a progressão da doença. Também é necessário olharmos para outros fatores que condicionam a vida destas pessoas.

O fator social é, talvez, aquele que tem mais impacto na vida quotidiana dado que a AF não afeta apenas os pacientes, impondo às suas famílias e cuidadores algumas alterações que exigem uma adaptação constante às necessárias modificações que surgem no dia-a-dia2. Será, por isso, muito importante que, nos próximos anos, se continue a insistir nas alterações que são hoje reconhecidas como fundamentais, no que respeita à relação entre a saúde e o social. Não basta desenvolver medicamentos pensando que, estes, resolverão todos os problemas que os seus destinatários enfrentam. É preciso humanizar os serviços e os cuidados de saúde, aumentar o conhecimento e a literacia, cada vez mais exigidos a quem os serve. Est aremos, desta forma, a permitir e a contribuir para que estas pessoas não sejam excluídas de qualquer processo que lhes diga respeito.

No âmbito da investigação, é preciso olhar para o futuro que nos foi sendo prometido pela inovação, pelo desenvolvimento tecnológico e por todas as razões que estão a transformar o nosso mundo numa bolha digital que se estende à área da saúde de forma irremediável e sem retrocesso.

É fundamental que esse progresso chegue rapidamente às áreas mais sensíveis das doenças raras, entre as quais à AF, através do aperfeiçoamento de técnicas que permitam um diagnóstico mais precoce, com análises e exames mais acessíveis e mais precisos, que permitam uma correta identificação da doença e, sobretudo, um acesso mais precoce e mais eficaz a todos os medicamentos que venham a surgir.

A abordagem multidisciplinar é outro dos fatores que pode permitir algum ganho de tempo, através do envolvimento de neurologistas, cardiologistas, fisioterapeutas e outros especialistas. Est a abordagem é essencial para oferecer um suporte completo a todos os portadores de AF. De um modo geral, ela permite uma colaboração mais alargada que pode, até, estender-se ao nível internacional através da troca de conhecimentos entre todas as instituições de saúde, sejam públicas ou privadas, que acompanham estes casos.

Para atingirmos todos estes objetivos é necessário criar incentivos ao investimento em todas as doenças raras, estabelecendo um compromisso global no financiamento à investigação que permita a todos os pacientes com Ataxia de Friedreich, e a todos os doentes raros em geral, olharem para um futuro com mais soluções e mais perspetivas, contrariando os atuais problemas.

Fonte: Sapo on-line Saúde

sábado, 3 de maio de 2025

“PRIMEIRA EXPOSIÇÃO PARTIR DO ACERVO DE EDUARDO GAGEIRO CELEBRA O 25 DE ABRIL”


No passado dia 26 de abril foi inaugurada na Paços – Galeria Municipal a exposição “Pela lente da Liberdade”, que inclui fotografias, documentos, prémios e equipamentos fotográficos da Coleção Municipal Eduardo Gageiro, recentemente adquirida pelo Município.

Na sua intervenção, a presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Laura Rodrigues, lembrou que a Paços – Galeria Municipal foi inaugurada no dia 25 de abril de 2003 precisamente com uma exposição de Eduardo Gageiro, tendo este tido um histórico de colaboração com o Município e Torres Vedras há vários anos. A presidente mencionou também que esta exposição está inserida nas comemorações do 25 de Abril, sendo as imagens expostas “uma verdadeira celebração da Revolução”.

Da exposição fazem parte peças icónicas como a fotografia Calvário e o Relatório da Operação “Fim Regime”, onde foi feita uma dedicatória do Capitão Salgueiro Maia a este fotógrafo. Denominado pelos seus pares como o “Mestre”, Eduardo Gageiro é conhecido pelo registo fotográfico da Revolução dos Cravos, tendo sido o primeiro fotógrafo a chegar ao Terreiro do Paço, mas também pelas imagens que capturou durante o Estado Novo e que revelavam as condições precárias em que vivia grande parte da população portuguesa.

Numa visita guiada pela exposição, Eduardo Gageiro partilhou com os presentes algumas das histórias por trás das fotografias, entre as quais episódios em que foi preso pelas imagens inconvenientes ao regime. Referiu também a coleção municipal do seu acervo, que contém milhares de registos históricos e na qual se incluem os itens expostos.

“Pela lente da Liberdade” vai estar em exposição até ao dia 13 de setembro deste ano.

Fonte: Câmara Municipal Torres Vedras

“Um copo de vinho por dia faz bem à saúde?”


O SAPO24 falou com Rita Viola, médica interna de Medicina Geral e Familiar para perceber se há alguma quantidade de bebidas alcoólicas que tenha benefício para a saúde”

 

Por: Ana Filipa Paz/* Editado por Ana Maria Pimentel

“A quantidade de álcool diária recomendada é calculada em Unidade de Bebida Padrão, que corresponde a 10 gramas de álcool puro”, o que corresponde a “1 cerveja de 200 mL, 100 mL de vinho ou 50 mL de uma bebida destilada”. Por dia, é recomendado no máximo o consumo de “duas unidades de bebida padrão para o homem entre os 18 e os 64 anos, e uma unidade de bebida padrão para as mulheres e pessoas com mais de 65 anos”, diz Rita Viola, médica interna de Medicina Geral e Familiar.

Em Portugal, os números ultrapassam esta referência. De acordo com o jornal Expresso, “dados de 2019 mostram que os portugueses consomem, em média, 12 litros de álcool por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de vinho ou a 4,6 litros de cerveja por semana”.

Segundo a médica interna de Medicina Geral e Familiar, “não há evidência de que o consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas tenha benefício para a saúde”.

Rita Viola alerta para os sinais de dependências de consumo de álcool, que podem surgir pela “necessidade de manter o consumo de álcool durante o período de toma de antibiótico, por incapacidade de reduzir ou parar”, ou pelo “desenvolvimento de tolerância ou sintomas físicos de abstinência, como tremores”.

Caso pretenda ajuda nesse sentido pode contactar a sua unidade de saúde familiar ou contactar a linha de ajuda telefónica Alcoólicos Anónimos Portugal (217 162 969).

Fonte: Sapo on-line Saúde