Por: Inês Fernandes
• A hiperconectividade, o
acesso cada vez mais precoce ao telemóvel e a dificuldade em manter a atenção
afectam o rendimento escolar
• 75% dos adolescentes
portugueses têm um smartphone antes dos 13 anos de idade
Portugal recua 20 anos no
relatório PISA. Os estudantes portugueses obtiveram os piores resultados desde
2000 em leitura e desde 2003 em matemática, ou seja, recuaram mais de 20 anos
no rendimento escolar. Os alunos obtiveram 460 a matemática, 462 a leitura e
482 pontos em ciências, o único valor mais em linha com a média da OCDE.
O descalabro levou os peritos
a analisarem as razões da deterioração educativa dos jovens, onde destacam a
invasão massiva dos ecrãs na vida diária das crianças e adolescentes como um
dos principais fatores que explicam estes resultados. Que papel desempenham os
ecrãs? Os peritos esclarecem: podem provocar a perda de capacidade para manter
a concentração, a diminuição da leitura por prazer e o tempo que os
adolescentes dedicam aos dispositivos digitais.
O último relatório sobre a
infância e tecnologia da SaveFamily assinala que 81% dos menores passam mais de
uma hora por dia em frente aos ecrãs durante a semana, percentagem que supera
os 90% durante os fins de semana. Além do mais, 75% dos adolescentes portugueses
já dispõe de um smartphone antes mesmo dos 13 anos de idade.
“O problema não é apenas
quanto tempo passam os menores conectados, mas também como estão desenhadas as
plataformas para os reter. Estamos frente a sistemas que fomentam o uso
continuado e dificulta a desconexão, o que tem a sua repercussão direta no rendimento
escolar dos jovens”, assinala Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.
Um dos sintomas mais
preocupantes está, precisamente, na leitura. A OCDE detesta mais dificuldades
quando os estudantes enfrentam textos mais extensos. A OCDE situa o ponto
crítico nas 400 palavras, quando começam a observar-se problemas para manter a
atenção e processar a informação. O organismo relaciona este fenómeno com a
leitura cada vez mais rápida num contexto marcado pelo consumo imediato
característico das redes sociais. Além do mais, referem que onde o uso de ecrãs
é menor, os resultados educativos tendem a ser melhores.
A esta perda de atenção
junta-se a dificuldade dos próprios adolescentes para regular a sua relação com
os dispositivos. De acordo com o relatório da SaveFamily, quase metade, 48%,
reconhecem ter perdido o controlo do tempo que passam em frente a um ecrã e que
um de cada quatro utiliza o telemóvel como forma de escape para esquecer os
problemas. 17% assegura ter tentado reduzir a utilização sem o ter conseguido e
11% admite que o telefone afeta negativamente o seu rendimento escolar.
“Estamos a observar como a
tecnologia entra na vida dos menores sem uma progressão adaptada ao seu
desenvolvimento. Isto gera um excesso de exposição que pode ter efeitos
devastadores no seu bem estar emocional, nas suas capacidades de concentração,
nas suas relações sociais e, por isso, também no seu nível académico”, assinala
Álvarez.
O problema também não se
limita ao rendimento académico. Os adolescentes que passam mais de três horas
diárias em plataformas digitais duplicam o risco de sofrer de problemas
psicológicos, de acordo com os dados recolhidos pela SaveFamily. O relatório alerta,
ainda, para a ansiedade associada à desconexão, necessidade constante de
interação digital e, até, respostas agressivas quando se tenta retirar o
telefone.
A isto junta-se uma nova capa:
os algoritmos e a Inteligência Artificial permitem personalizar, continuamente,
aquilo que cada utilizador vê. No caso dos menores, a combinação do acesso
precoce e dos sistemas algorítmicos pode provocar que os jovens abusem
excessivamente dos ecrãs sem serem sequer conscientes disso.
“As tecnologias atuais não
apenas oferecem conteúdo, mas também adaptam-no constantemente ao utilizador, o
que aumenta a sua capacidade de influência. Por isso, os peritos recomendamos
que os menores tenham uma imersão digital escalada para reforçar a literacia
digital e avançar para uma incorporação progressiva e supervisionada da
tecnologia durante a infância”, explica o perito da SaveFamily.
O retrocesso educativo
implícito no relatório PISA aponta também que a disciplinas nas aulas tem
piorado, assim como os fatores sociais, escolares e familiares. Mas são os
ecrãs e a expansão do smartphone o que gera mais preocupação entre os peritos
que procuram uma fórmula para evitar que a hiperconectividade condicione a
capacidade de ler, concentrar e aprender.
Acerca de
SaveFamily
A SaveFamily é uma empresa
espanhola líder no desenvolvimento de smartwatches com GPS para crianças e
idosos. Desde 2017 trabalha para aproximar a tecnologia às famílias com
dispositivos pensados para melhorar a comunicação, a segurança e a autonomia
dos utilizadores.
A empresa está presente em
mais de 43 países e serve a mais de um milhão de famílias através de uma ampla
gama de dispositivos tecnológicos orientados para a segurança e o bem-estar.
Fonte: Newsline Agência de
Comunicação

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