segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

“Mandrake d’Or: A portuguesa Solange Kardinaly ganhou um dos “Óscares da Magia” 2024 em Paris”


Por: Carlos Pereira

A ilusionista e cantora portuguesa Solange Kardinaly ganhou um dos troféus Mandrakes d’Or 2024, considerados os “Óscares da Magia”. O prémio foi-lhe entregue no dia 22 de outubro, no palco do Casino de Paris, mas a cerimónia só ontem à noite foi transmitida pelo canal de televisão C8. Foi a primeira mulher a receber este galardão.

Solange Kardinaly é conhecida pelas suas performances de “quick change” (mudança rápida de roupa) e foi precisamente com um número de “quick change” que a artista se apresentou em palco.

Nascida em Vila Nova da Barquinha, perto do entroncamento, Solange Kardinaly faz parte da terceira geração de uma família de artistas e ilusionistas portugueses. O avô paterno era mágico, o pai e a mãe também são e foi, pois, muito naturalmente que Solange cresceu no mundo da magia, começando a subir aos palcos desde muito jovem e seguindo os passos dos pais. Também é prima do conhecido artista de circo Victor Hugo Cardinali.

Com pouco mais de 20 anos, Solange Kardinaly veio para Paris, para participar numa digressão circense, e acabou por participar no programa “Le Plus Grand Cabaret du Monde”, apresentado por Patrick Sébastien, na France 2.

A artista portuguesa participou em inúmeros festivais de magia, em programas de televisão, circos e eventos por esse mundo fora. Em 2024 participou no programa de televisão “América’s Got Talent” chegando à final da competição. Em França também participou, este ano, no programa “La France a un incroyable talent”. Solange Kardinaly detém ainda o recorde do Guinness com o maior número de mudanças de roupa num minuto, realizado com o seu marido, o ilusionista espanhol do País Basco, Arkadio.

Aliás, o casal apresentou também um número de grande ilusão durante o espetáculo.

Os Mandrakes d’Or foram criados em 1990, começou por ser um Festival Internacional de Ilusionismo e de magia, que depois se foi transformando num encontro incontornável anual de grandes profissionais da magia.

Os Mandrakes d’Or deste ano foram apresentados por Maxime Guény e Charlotte Bermond.

Fonte: Luso Jornal (França)

“Escritor e professor Hélder Macedo vence Prémio Vasco Graça Moura–Cidadania Cultural”


Por: Lusa

O escritor e professor universitário Hélder Macedo, 89 anos e “uma consciência livre”, é o distinguido com o Prémio Vasco Graça Moura–Cidadania Cultural, deste ano, anunciou hoje a Estoril Sol, promotora do galardão.

Sobre o distinguido nesta 10.ª edição do prémio, com o valor pecuniário de 20.000 euros, o júri referiu que, “vivendo em Moçambique, desde a sua juventude, [Hélder Macedo] afirmou-se como uma consciência livre, considerando a liberdade como abrangendo a criação literária e artística, mas também o reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação e independência”.

O distinguido do Prémio é conhecido no dia em que o escritor, ensaísta e político Vasco Graça Moura completaria 83 anos.

Para o júri, ao qual presidiu o sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras Guilherme d’Oliveira Martins, Hélder Macedo é “um ilustre poeta, romancista, ensaísta, crítico e professor que tem um percurso exemplar no campo da cidadania cultural”.

Hélder Macedo, "exilado em Londres a partir de 1960, foi colaborador da BBC e lecionou no King’s College onde ensinou Língua e Cultura Portuguesas, afirmando-se como prestigiado investigador”, afirma o júri em ata, acrescentando que, “após a Revolução de 25 de Abril [de 1974] exerceu em Portugal importantes funções na área cultural, tendo prosseguido, a par da criação literária e ensaística, uma ação persistente na cultura e educação em prol da cultura portuguesa no mundo”.

Em comunicado, a Estoril Sol lembra que Hélder Macedo, “jovem de convicções antifascistas, foi perseguido pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado)”, tendo-se exilado em Londres onde se licenciou em Literatura e História. Docente no King's College, aí realizou os seus estudos de doutoramento, tendo sido titular da cátedra Camões e professor emérito.

Hélder Malta Macedo nasceu em 30 de novembro de 1935, em Krugersdorp, na África do Sul. Passou a infância em Moçambique, onde seu pai era governador provincial da Zambézia, e regressou a Lisboa com 12 anos, tendo, posteriormente, frequentado a Faculdade de Direito.

Os seus primeiros registos na ficção literária, um romance e alguns contos, foram censurados, vindo a editar o seu primeiro livro de poemas com 21 anos, “Vesperal” (1957), ao qual se seguiu outro título de poesia, “Das Fronteiras” (1962).

De 1991 a 1998, Hélder Macedo publicou os romances “Partes de África” e “Pedro e Paula”, coorganizou “Folhas de Poesia” e colaborou em várias publicações, como “Graal”, “Hidra I” e a “Colóquio/Letras”.

No domínio do ensaio, “distinguiu-se com estudos de crítica literária que apresentavam perspetivas inovadoras sobre a conexão do texto literário com o horizonte mental e cultural em que foi produzido”, e na vertente da poesia, publicou “Vícios e Virtudes” (2000), “Viagem de Inverno” (1994) e “Viagem de Inverno e Outros Poemas”, esta uma coletânea da sua poesia, com a chancela da Editora Record, do Brasil. Outra coletânea da sua poesia foi publicada em 2011, pela Editorial Presença, “Poemas Novos e Velhos”.

Entre 1975 e 1980, viveu em Portugal, onde exerceu, durante um curto período, funções públicas e políticas, tendo sido, de 1979 a 1980, secretário de Estado da Cultura, do Governo liderado por Maria de Lourdes Pintasilgo (1930-2004).

O seu mais recente título, na área de ensaio, foi publicado em 2017, “Camões e outros contemporâneos”. Na área de romance, o mais recente, publicado em 2013, recuperou para título um soneto de Camões, “Tão Longo Amor Tão Curta a Vida”.

O romance “Sem Nome” (2005) valeu-lhe um Prémio P.E.N. Clube 2006. Anteriormente já tinha recebido o Prémio P.E.N. Clube de ensaio, em 1998, por “Viagens do Olhar: Retrospeção, Visão e Profecia no Renascimento Português”, que escreveu com Fernando Gil (1937-2006), obra que lhe valeu também, nesse mesmo ano, o Prémio da Associação de Críticos Literários.

Por outro ensaio, “Do Significado Oculto da Menina e Moça” (1977), recebeu o Prémio da Academia das Ciências de Lisboa, da qual é membro efetivo.

Como professor visitante deu aulas em várias universidades, entre elas a Federal do Rio de Janeiro, a de Harvard, nos Estados Unidos, a de Santiago de Compostela, em Espanha, e a École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, sendo “honorary research fellow” na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Ao longo da sua carreira foi condecorado por três vezes pelo Estado português: em junho passado, com a Grã-Cruz da Ordem de Camões, em 2018, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante e, em 1993, com a comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Hélder Macedo “nunca abdicou da sua condição de português livre”, sublinha a Estoril Sol.

O Prémio Vasco Graça Moura “visa distinguir um escritor, ensaísta, poeta, jornalista, tradutor ou produtor cultural que ao longo da carreira - ou através de uma intervenção inovadora e de excecional importância -, haja contribuído para dignificar e projetar no espaço público o sector a que pertença”, segundo o regulamento.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao historiador José Pacheco Pereira.

Além de Guilherme d'Oliveira Martins, que presidiu, o júri foi constituído por Maria Carlos Gil Loureiro, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e Bibliotecas, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários e, a convite da Estoril Sol, o escritor Liberto Cruz, o jornalista José Carlos de Vasconcelos, a diretora da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, Ana Paula Laborinho, e o jornalista Dinis de Abreu.

A cerimónia da entrega do Prémio será anunciada oportunamente, afirma a Estoril Sol.

Fonte: Centro Nacional Cultura

domingo, 5 de janeiro de 2025

“Dakar 2025: portugueses atrasam-se na primeira parte da etapa-maratona de 48 horas”


A longa tirada, que tem 947 quilómetros cronometrados para as motas e 967 para os automóveis, não teve uma primeira metade boa para os participantes nacionais, Carlos Sainz e Sébastien Loeb também não tiveram um dia positivo

 

Por: Lusa

Foto: Qian Jun/MB Media

Os pilotos portugueses presentes na 47.ª edição do Rali Dakar de todo-o-terreno cederam terreno na primeira parte da etapa de 48 horas, que termina na segunda-feira em Bisha, na Arábia Saudita.

Nos automóveis, João Ferreira (Mini) partiu na sexta posição para esta segunda das 12 etapas da prova e parou no 18.º lugar virtual da etapa, de uma classificação liderada pelo saudita Yazeed Al-Rajhi (Toyota). Nasser Al-Attiyah (Dácia) ocupa a segunda posição, a 1,19 minutos, seguido do sul-africano Henk Lategan (Toyota), a dois minutos.

João Ferreira e Filipe Palmeiro estão no quinto acampamento, ao quilómetro 626, juntamente com os principais candidatos e as outras duas principais equipas da Mini. "Estamos felizes por estar aqui sem problemas de maior. Completámos até agora 626 km e vamos preparar tudo para amanhã terminar esta etapa", disse, citado pela sua assessoria de imprensa.

João Ferreira ocupa provisoriamente o 18.º lugar da etapa e 12.º da geral virtual.

O espanhol Carlos Sainz (Ford), vencedor em 2024, capotou no início da tirada, mas ainda conseguiu seguir em prova, apesar de ter cedido cerca de 49,33 minutos para o líder. Também o francês Sébastien Loeb (Dácia) teve problemas elétricos e está já a 33,33 minutos da frente.

Na classe Challenge, de veículos ligeiros, o português Gonçalo Guerreiro (Red Bull) sofreu um percalço e parou na quinta posição virtual. O piloto de 24 anos da equipa Júnior da Red Bull caiu de frente numa duna, ficando com o seu veículo preso na areia. Depois de o desenterrar, ainda teve de trocar o pneu dianteiro direito, que furou com o embate, cedendo pouco mais de 11 minutos para o líder, o argentino Nicolas Cavigliasso (BBR).

Nesta categoria, Luís Portela de Morais (GRally) parou em sétimo, Ricardo Porém (MMP) em 14.º, Pedro Gonçalves (Franco Sport) em 29.º, Rui Carneiro (GRally) em 35.º, Mário Franco (Franco Sport) em 41.º e Maria Luís Gameiro (X-Raid) em 45.º.

Na geral, Gonçalo Guerreiro mantém a segunda posição virtual, com Luís Portela de Morais em sétimo e Ricardo Porém em 10.º.

Nos SSV, outra categoria de veículos ligeiros, Alexandre Pinto (Old Friends) está virtualmente na quarta posição da etapa, que é liderada pelo norte-americano Brock Heger (RZR), enquanto João Dias (Santag) é sexto, atrás do italiano Enrico Gaspari (TH), que é navegado pelo português Fausto Mota, e João Monteiro (South Racing) é 23.º.

Na geral, Alexandre Pinto ocupa o degrau mais baixo do pódio, atrás do francês Xavier de Soultrait (Polaris), que lidera, e de Brock Heger, que é segundo. João Dias é o sexto da geral e João Monteiro 20.º.

Nas motas, Rui Gonçalves (Sherco) baixou do 16.º ao 18.º lugar virtual quando parou no acampamento para passar a noite. Bruno Santos (Husqvarna) parou em 34.º e António Maio (Yamaha) em 35.º, depois da queda da véspera nas pedras. O piloto alentejano ainda chegou a rodar na terceira posição na parte inicial da tirada.

O australiano Daniel Sanders (KTM), vencedor do prólogo e da primeira etapa, também parou hoje no comando, com 4.02 minutos de vantagem sobre o norte-americano Ricky Brabec (Honda) e 5.59 sobre Ross Branch (Hero).

Na geral, Rui Gonçalves é provisoriamente o 18.º, com Maio em 34.º e Bruno Santos em 35.º.

Nos camiões, o navegador português Paulo Fiúza, que segue com o lituano Vaidotas Zala (Iveco), ocupa a terceira posição da classificação geral.

Segunda-feira disputa-se a segunda parte da etapa de 48 horas, que tem 947 quilómetros cronometrados para as motas e 967 para os automóveis, com partida e chegada em Bisha, na Arábia Saudita.