sexta-feira, 14 de novembro de 2025

“Campanha Loading Valores”


“O meu filho não consegue desconectar-se”: psicóloga revela os sinais que alertam sobre a dependência digital infantil

 

Por: Inês Fernandes

• O uso excessivo do telemóvel entre os menores preocupa as famílias e começa a afetar o seu bem-estar emocional e a convivência em casa

• Peritos alertam para uma geração que vive conectada, mas cada vez mais desconectada do seu ambiente

• “Não pode viver sem o tablet”: os peritos alertam de uma epidemia silenciosa dentro de casa

“Quando lhe tiro o telemóvel, fica aborrecido, grita e diz que lhe arruinei a vida”. Este tipo de frases são cada vez mais frequentes nas casas em todo o mundo. Os momentos que antes estavam destinados a brincar converteram-se, para muitas crianças e adolescentes, em horas intermináveis conectadas à internet e uma necessidade digital constante. A dependência digital infantil preocupa cada vez mais os pais, educadores e profissionais da saúde mental, que alertam da obrigatoriedade de os controlar e parar para o correto desenvolvimento da personalidade das crianças.

De acordo com as estatísticas extraídas do recente Observatório SaveFamily, sete em cada dez pais apoiam a proibição dos telemóveis nas escolas, e mais de 60% considera necessária a restrição do acesso a redes sociais em menores. Por detrás destes números esconde-se uma preocupação partilhada: a perda de controlo sobre o uso da tecnologia em casa.


A psicóloga infantojuvenil María García, colaboradora da campanha Loading Valores, explica que “a fronteira entre o uso e a dependência cruza-se quando o dispositivo deixa de ser uma ferramenta e passa a converter-se numa necessidade emocional”. Depois de realizar consultas a dezenas de crianças em diferentes idades, a especialista assegura que se repetem os mesmos padrões: crianças que se irritam se lhes retiram o ecrã, que perdem interesse por outras atividades e que procuram aprovação constante nas redes e jogos online.

O problema, destaca García, não está na tecnologia em si, mas no modo como esta se integra na vida quotidiana. “Não se trata de demonizar os ecrãs, mas de ensinar os menores a relacionarem-se com estas de forma sã e equilibrada. O risco surge quando o telemóvel ou o tablet substituem o contacto humano, os jogos livres ou a gestão de emoções”, afirma.

O projeto educativo Loading Valores, uma campanha impulsionada pela SaveFamily, procura consciencializar famílias, professores e autoridades para a necessidade de educar as crianças desde pequenas para que possam ter uma imersão responsável num mundo cada vez mais tecnológico e evitem cair nos perigos digitais que se escondem por detrás dos ecrãs dos telemóveis.

A especialista insiste que os efeitos se notam cada vez em idades mais precoces: alterações do sono, irritabilidade, baixa tolerância à frustração e dificuldades de atenção são já motivos habituais nas consultas de psicologia. De acordo com o Observatório da SaveFamily, 53,3% dos pais afirma que o uso de dispositivos digitais teve um impacto emocional nos seus filhos. Mais de metade. Além do mais, 30,9% das crianças irrita-se se se lhe retira o dispositivo e até 23,8% sente ansiedade ao não ter acesso a estes.

Esta problemática transpõe-se para as aulas: 37,8% das famílias alertam de que o uso de dispositivos móveis por parte das crianças afeta o rendimento escolar devido ao abuso de redes sociais e acesso à internet sem restrições. Uma ameaça que está muito mais ampla já que, atualmente, até 68% dos menores utilizam a internet antes dos 11 anos e até crianças de 4 anos têm telemóveis.

Em Portugal, a proibição dos telemóveis em contexto escolar foi uma das medidas governamentais que mais se tem falado nos últimos meses, mas cuja implementação tem decorrido sem grandes percalços e, até, com o apoio dos pais.

 

O lar, primeiro campo de batalha

 

No meio familiar, o conflito costuma aparecer quando os pais tentam limitar o tempo de ecrã. O que começa como uma negociação pode acabar em gritos ou castigos. “O sentimento de impotência é enorme. Sabemos que algo não está bem, mas não encontramos maneira de impor limites sem discutir”, reconhecem algumas das famílias que participam em Loading Valores.

A mudança passa por substituir a proibição pelo acompanhamento. Estabelecer horários digitais, fomentar atividades fora do ecrã, partilhar conteúdos e dar o exemplo. “Se nós mesmos estivermos permanentemente conectados, dificilmente eles se poderão desconectar. A tecnologia é parte das nossas vidas, mas precisamos ensinar os menores a usá-la com consciência: faz falta uma educação digital real”, explica Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.

Álvarez considera que o papel da tecnologia deve ir mais além do interesse económico. “Temos a responsabilidade de oferecer ferramentas que promovem a autonomia e a segurança, não a dependência. Isso implica o desenvolvimento de produtos que acompanham a aprendizagem, não que a substituam”. Os relógios inteligentes para crianças, como o SaveWatch Plus 2, apresentaram-se nos últimos meses como uma das soluções mais eficazes para atrasar a entrega dos telemóveis às crianças sem renunciar à segurança e à comunicação, mas dotando-os de uma ferramenta para que aprendam a utilizar a tecnologia de forma responsável.

Os peritos concordam que a chave está em reservar momentos livres de ecrãs como são as refeições ou a hora de ir dormir, reforçar atividades que não dependem do telemóvel e evitar que seja utilizado como calmante emocional. “O telemóvel não pode converter-se numa forma de silenciar o aborrecimento e a frustração”, adverte a psicóloga de Loading Valores. “Ajudá-los a tolerar a espera, o silêncio ou o jogo sem estímulos digitais é educar o seu cérebro para a vida real e um uma utilização mais consciente”.

A dependência digital infantil reflete uma sociedade hiper-conectada que também afeta os adultos, que se esforçam por procurar um equilíbrio entre o mundo online e a vida real. No canal de YouTube da SaveFamily é possível consultar o trabalho realizado em colaboração com a María García. O objetivo é conseguir que as crianças aprendam a desconectar-se dos ecrãs para se reconectarem com o seu ambiente e sejam carregados verdadeiramente com valores chave como a empatia, o respeito e a comunicação.

 

Acerca de SaveFamily

 

É a empresa de origem espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais distribui os seus produtos em mais de 26 países.

Criada em 2017, uma equipa multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500 mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes.

Fonte: Newsline Agência de Comunicação

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