“O meu filho não consegue desconectar-se”: psicóloga revela os sinais que alertam sobre a dependência digital infantil
Por: Inês Fernandes
• O uso excessivo do telemóvel
entre os menores preocupa as famílias e começa a afetar o seu bem-estar
emocional e a convivência em casa
• Peritos alertam para uma
geração que vive conectada, mas cada vez mais desconectada do seu ambiente
• “Não pode viver sem o
tablet”: os peritos alertam de uma epidemia silenciosa dentro de casa
“Quando lhe tiro o telemóvel,
fica aborrecido, grita e diz que lhe arruinei a vida”. Este tipo de frases são
cada vez mais frequentes nas casas em todo o mundo. Os momentos que antes
estavam destinados a brincar converteram-se, para muitas crianças e adolescentes,
em horas intermináveis conectadas à internet e uma necessidade digital
constante. A dependência digital infantil preocupa cada vez mais os pais,
educadores e profissionais da saúde mental, que alertam da obrigatoriedade de
os controlar e parar para o correto desenvolvimento da personalidade das
crianças.
De acordo com as estatísticas extraídas do recente Observatório SaveFamily, sete em cada dez pais apoiam a proibição dos telemóveis nas escolas, e mais de 60% considera necessária a restrição do acesso a redes sociais em menores. Por detrás destes números esconde-se uma preocupação partilhada: a perda de controlo sobre o uso da tecnologia em casa.
A psicóloga infantojuvenil
María García, colaboradora da campanha Loading Valores, explica que “a
fronteira entre o uso e a dependência cruza-se quando o dispositivo deixa de
ser uma ferramenta e passa a converter-se numa necessidade emocional”. Depois de
realizar consultas a dezenas de crianças em diferentes idades, a especialista
assegura que se repetem os mesmos padrões: crianças que se irritam se lhes
retiram o ecrã, que perdem interesse por outras atividades e que procuram
aprovação constante nas redes e jogos online.
O problema, destaca García,
não está na tecnologia em si, mas no modo como esta se integra na vida
quotidiana. “Não se trata de demonizar os ecrãs, mas de ensinar os menores a
relacionarem-se com estas de forma sã e equilibrada. O risco surge quando o telemóvel
ou o tablet substituem o contacto humano, os jogos livres ou a gestão de
emoções”, afirma.
O projeto educativo Loading
Valores, uma campanha impulsionada pela SaveFamily, procura consciencializar
famílias, professores e autoridades para a necessidade de educar as crianças
desde pequenas para que possam ter uma imersão responsável num mundo cada vez
mais tecnológico e evitem cair nos perigos digitais que se escondem por detrás
dos ecrãs dos telemóveis.
A especialista insiste que os
efeitos se notam cada vez em idades mais precoces: alterações do sono,
irritabilidade, baixa tolerância à frustração e dificuldades de atenção são já
motivos habituais nas consultas de psicologia. De acordo com o Observatório da
SaveFamily, 53,3% dos pais afirma que o uso de dispositivos digitais teve um
impacto emocional nos seus filhos. Mais de metade. Além do mais, 30,9% das
crianças irrita-se se se lhe retira o dispositivo e até 23,8% sente ansiedade
ao não ter acesso a estes.
Esta problemática transpõe-se
para as aulas: 37,8% das famílias alertam de que o uso de dispositivos móveis
por parte das crianças afeta o rendimento escolar devido ao abuso de redes
sociais e acesso à internet sem restrições. Uma ameaça que está muito mais
ampla já que, atualmente, até 68% dos menores utilizam a internet antes dos 11
anos e até crianças de 4 anos têm telemóveis.
Em Portugal, a proibição dos
telemóveis em contexto escolar foi uma das medidas governamentais que mais se
tem falado nos últimos meses, mas cuja implementação tem decorrido sem grandes
percalços e, até, com o apoio dos pais.
O lar,
primeiro campo de batalha
No meio familiar, o conflito
costuma aparecer quando os pais tentam limitar o tempo de ecrã. O que começa
como uma negociação pode acabar em gritos ou castigos. “O sentimento de
impotência é enorme. Sabemos que algo não está bem, mas não encontramos maneira
de impor limites sem discutir”, reconhecem algumas das famílias que participam
em Loading Valores.
A mudança passa por substituir
a proibição pelo acompanhamento. Estabelecer horários digitais, fomentar
atividades fora do ecrã, partilhar conteúdos e dar o exemplo. “Se nós mesmos
estivermos permanentemente conectados, dificilmente eles se poderão desconectar.
A tecnologia é parte das nossas vidas, mas precisamos ensinar os menores a
usá-la com consciência: faz falta uma educação digital real”, explica Jorge
Álvarez, CEO da SaveFamily.
Álvarez considera que o papel
da tecnologia deve ir mais além do interesse económico. “Temos a
responsabilidade de oferecer ferramentas que promovem a autonomia e a
segurança, não a dependência. Isso implica o desenvolvimento de produtos que
acompanham a aprendizagem, não que a substituam”. Os relógios inteligentes para
crianças, como o SaveWatch Plus 2, apresentaram-se nos últimos meses como uma
das soluções mais eficazes para atrasar a entrega dos telemóveis às crianças
sem renunciar à segurança e à comunicação, mas dotando-os de uma ferramenta
para que aprendam a utilizar a tecnologia de forma responsável.
Os peritos concordam que a
chave está em reservar momentos livres de ecrãs como são as refeições ou a hora
de ir dormir, reforçar atividades que não dependem do telemóvel e evitar que
seja utilizado como calmante emocional. “O telemóvel não pode converter-se numa
forma de silenciar o aborrecimento e a frustração”, adverte a psicóloga de
Loading Valores. “Ajudá-los a tolerar a espera, o silêncio ou o jogo sem
estímulos digitais é educar o seu cérebro para a vida real e um uma utilização
mais consciente”.
A dependência digital infantil
reflete uma sociedade hiper-conectada que também afeta os adultos, que se
esforçam por procurar um equilíbrio entre o mundo online e a vida real. No
canal de YouTube da SaveFamily é possível consultar o trabalho realizado em
colaboração com a María García. O objetivo é conseguir que as crianças aprendam
a desconectar-se dos ecrãs para se reconectarem com o seu ambiente e sejam
carregados verdadeiramente com valores chave como a empatia, o respeito e a
comunicação.
Acerca de
SaveFamily
É a empresa de origem
espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais
distribui os seus produtos em mais de 26 países.
Criada em 2017, uma equipa
multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500
mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes.
Fonte: Newsline Agência de
Comunicação


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