O Município de Penamacor submeteu, no âmbito da Discussão Pública, um parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER), considerando que a mesma levanta sérias reservas quanto aos seus impactes territoriais, paisagísticos, institucionais e metodológicos.
Embora
reconheça plenamente a importância estratégica da transição energética e da
expansão das energias renováveis para o cumprimento dos objetivos nacionais e
europeus de descarbonização, o Município entende que tais objetivos não podem
ser prosseguidos à custa da descaracterização dos territórios, da diminuição da
autonomia municipal e da desvalorização dos valores paisagísticos, culturais e
identitários das comunidades locais.
Defesa da autonomia municipal e do poder local
Um
dos aspetos centrais do parecer prende-se com a crescente centralização das
decisões relativas ao ordenamento do território. O Município considera que a
delimitação prévia de extensas áreas destinadas à instalação de infraestruturas
de produção de energia renovável através de um instrumento setorial de âmbito
nacional reduz significativamente a capacidade dos municípios para participarem
ativamente na definição do modelo de desenvolvimento dos seus territórios.
Penamacor
alerta que esta abordagem enfraquece o princípio da subsidiariedade, diminui a
autonomia local e desvaloriza os instrumentos de gestão territorial
democraticamente aprovados, designadamente os Planos Diretores Municipais.
Necessidade de avaliação territorial caso a caso
O
parecer sustenta igualmente que a avaliação estratégica do programa não deve
substituir a necessária apreciação individualizada dos impactes territoriais,
paisagísticos e patrimoniais associados a cada projeto concreto.
Na
perspetiva do Município, a diversidade e singularidade dos territórios exige
uma ponderação específica das características de cada intervenção,
especialmente quando estas produzem efeitos significativos e duradouros sobre a
paisagem e sobre a qualidade de vida das populações.
Cerca
de 10% do território municipal poderá ficar afeto a energias renováveis
A
proposta do PSZAER prevê a afetação direta de aproximadamente 9% do território
do concelho de Penamacor. Considerando os projetos já existentes ou
comprometidos, a área total ocupada por infraestruturas energéticas poderá
atingir cerca de 10% da área do concelho.
O
Município entende que esta realidade assume particular relevância num
território de baixa densidade populacional, cuja valorização económica está
também associada à preservação da paisagem, dos recursos naturais e da
identidade territorial.
Falta de transparência na construção do “mapa verde”
Outra
das preocupações expressas no parecer diz respeito à metodologia utilizada para
a elaboração do denominado “mapa verde”, elemento cartográfico que suporta o
programa.
O
Município considera que os critérios, parâmetros e ponderações utilizados na
construção desta cartografia não se encontram suficientemente explicitados,
dificultando a compreensão dos resultados obtidos, a sua reprodutibilidade
metodológica e uma efetiva participação pública informada.
Impactes em áreas de elevada sensibilidade paisagística
O
parecer identifica ainda situações consideradas particularmente preocupantes no
território de Penamacor, nomeadamente:
A
afetação de áreas situadas entre a Zona Industrial de Penamacor e Aldeia do
Bispo para instalação de energia eólica;
A
ocupação da vertente norte da colina de Penamacor;
A
ocupação de grande parte da vertente norte da Serra de Santa Marta, elemento
estruturante da paisagem envolvente da freguesia de Benquerença.
Segundo
o Município, estas propostas evidenciam uma insuficiente ponderação dos valores
paisagísticos, culturais e identitários associados ao território, podendo
comprometer elementos fundamentais da imagem, identidade e património imaterial
das comunidades locais.
Apelo à revisão da proposta
O
Município de Penamacor defende que o PSZAER deve ser revisto de forma
substancial, garantindo uma melhor articulação entre os objetivos nacionais da
transição energética e a proteção das especificidades territoriais locais.
Para
o Executivo Municipal, a paisagem não deve ser entendida apenas como uma
realidade física suscetível de quantificação, mas também como um património
coletivo construído ao longo de gerações e parte integrante da identidade das
populações.
Neste
contexto, o Município reafirma a sua disponibilidade para colaborar na
prossecução dos objetivos de transição energética, desde que tal ocorra com
respeito pela autonomia do poder local, pelos instrumentos de ordenamento do
território e pelos valores ambientais, paisagísticos e culturais que
caracterizam o concelho de Penamacor.
Fonte:
Câmara Municipal Penamacor

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