Por: José Morais
A perda de peso sem motivo
aparente, frequentemente vista como algo positivo ou até desejável, pode
esconder um alerta importante para a saúde. Especialistas têm vindo a reforçar
que este é um dos sinais mais ignorados do cancro colorretal, uma doença que
muitas vezes evolui de forma silenciosa e só é detetada em fases avançadas.
Embora seja um dos tipos de
cancro mais comuns, o cancro colorretal continua a ser subdiagnosticado porque
os seus primeiros sintomas são facilmente confundidos com problemas digestivos
banais, stress ou alterações temporárias do estilo de vida. Essa semelhança com
outras condições atrasa a procura de ajuda médica e, consequentemente, o início
do tratamento.
Segundo o médico Kishore V.
Alapati, em declarações ao portal HealthShots, o corpo “costuma avisar quando
algo não está bem”, mas nem sempre o faz de forma óbvia. Entre esses sinais
discretos está a perda de peso involuntária, que pode surgir acompanhada de
desconforto abdominal persistente ou alterações digestivas ligeiras, mas
contínuas.
O especialista explica que, no
caso do cancro colorretal, o tumor pode interferir na absorção de nutrientes ou
provocar uma resposta inflamatória que leva o organismo a gastar mais energia,
resultando em emagrecimento sem explicação. Muitas pessoas, no entanto, tendem
a ignorar estas mudanças, atribuindo-as a cansaço, ansiedade ou simples
variações do dia a dia.
Outro sintoma frequentemente
desvalorizado é o desconforto abdominal prolongado. Inchaço ocasional ou dores
de estômago são comuns, mas quando persistem durante semanas ou se tornam
diferentes do habitual, devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Oncologistas alertam que, sem
tratamento, o cancro colorretal pode evoluir rapidamente e até bloquear o
intestino, tornando-se fatal em poucos meses. Por isso, reforçam a importância
da colonoscopia exame que permite visualizar o cólon e o reto e detetar lesões
precoces, muitas vezes antes de surgirem sintomas evidentes.
Oncologistas acrescentam que
os primeiros sinais são geralmente inespecíficos o que contribui para o atraso
no diagnóstico. Entre os sintomas que merecem atenção incluem-se:
diarreia ou prisão de ventre
persistentes
sangue nas fezes
cólicas ou dor ao evacuar
sensação de evacuação
incompleta
perda de apetite
fadiga constante
alterações no formato das
fezes
vómitos
Importa lembrar que apresentar
um ou mais destes sintomas não significa, por si só, ter cancro colorretal. No
entanto, qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um
gastrenterologista, cirurgião geral ou oncologista.
Com o aumento da esperança
média de vida e a mudança nos hábitos alimentares, os especialistas têm
observado um crescimento de casos em pessoas mais jovens, o que reforça a
necessidade de vigilância. A prevenção continua a ser a melhor arma: exames
regulares, atenção aos sinais do corpo e um estilo de vida equilibrado podem
fazer toda a diferença no diagnóstico precoce e no sucesso do tratamento.

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