quinta-feira, 18 de junho de 2026

“Reino Unido proíbe as redes sociais a menores de 16 anos, enquanto 70% das crianças já tem telemóvel”


Por: Inês Fernandes

• Ansiedade, distração e baixo rendimento: 53,3% dos menores sofre de stress quando se lhes limita o uso do telemóvel e quase 38% das famílias alerta para o impacto escolar

• Menores hiper conectados desde a infância: 70% dos menores até 10 anos já tem acesso ao smartphone

• Os relógios inteligentes infantis aumentam em 40% como alternativa ao smartphone e como forma de atrasar a introdução das redes sociais sem renunciar à tecnologia

Antes dos 10 anos de idade, muitas crianças em Portugal já vivem conectados. De acordo com a OCDE, 70% das crianças até aos 10 anos já têm um smartphone, um valor que chega aos 98% aos 15 anos. O resultado é uma infância cada vez mais conectada, com mais de 80% das crianças a passar pelo menos uma hora por dia em frente aos ecrãs, e quase 20% a superar as cindo horas aos fins de semana. De acordo como Observatório de Hábitos Digitais em Menores da SaveFamily, 53,3% dos menores sente stress ou ansiedade quando se lhes limita o uso do telemóvel.

Esta realidade está a levar a uma tendência internacional de restringir o acesso dos menores de 16 anos às redes sociais e, esta semana, o Reino Unido deu já um passo em frente ao confirmar que impedirá os menores desta idade a utilizar redes sociais como o TikTok, Instagram, Facebook, Snapchat, Youtube ou X. A medida britânica, impulsionada pelo Executivo de Keir Starmer, prevê sistemas obrigatórios de verificação de idade e poderá complementar-se com limites de uso ou outras restrições destinadas a proteger o bem-estar digital dos jovens. A proposta conta com um elevado apoio social e junta-se a iniciativas semelhantes já aplicadas na Austrália.

Famílias e docentes constatam que o uso intensivo de redes sociais não é neutro no desenvolvimento infantil. “Os números confirmam algo que vemos todos os dias: os menores acedem demasiado cedo a ambientes para os que não estão emocionalmente preparados. Não se trata apenas de quanto tempo passam conectados, mas de como e para que usam a tecnologia”, assinala Jorge Álvarez, CEO de SaveFamily.

 

Impacto académico negativo em 38% das crianças

 

Os efeitos começam a refletir-se na saúde emocional e no ambiente educativo. Mais de 80% dos menores passa pelo menos uma hora diária em frente a ecrãs durante a semana e quase um de cada cinco supera as cinco horas nos fins de semana. Esta hiper conexão traduz-se em dificuldades de concentração, irritabilidade e uma baixa tolerância à frustração. No ambiente escolar, quase 38% das famílias alerta para um impacto negativo no rendimento académico associado ao uso de telemóveis e redes sociais.

“Quando o telemóvel e as redes sociais entram em jogo, a atenção fragmenta-se e a aprendizagem ressente-se. O problema não é a tecnologia em si, mas a falta de limites claros, educação e literacia digital e uma introdução progressiva de acordo com a idade”, explica Álvarez.

A decisão britânica reforça uma corrente regulatória que ganha força em diferentes países. A Austrália já aplica restrições para menores de 16 anos, enquanto a França e a Itália endureceram as limitações no ambiente escolar. Em Portugal, o Governo já limitou o uso de telemóveis em ambiente escolar e encontra-se em debate a possibilidade de limitar o acesso às redes para menores de 16 anos. Agora, o Reino Unido situa-se entre os países com medidas mais ambiciosas para reduzir a exposição precoce dos menores a plataformas desenhadas para maximizar a atenção e a interação constante.

 

Aumenta a procura por smartwatches infantis

 

Perante esta realidade, muitas famílias estão à procura de alternativas. A procura de relógios inteligentes cresceu 40% nos últimos anos, impulsionada por pais que desejam atrasar a entrega de smartphones sem renunciar à comunicação e à segurança. Estes dispositivos permitem fazer chamadas controladas, geolocalização e funções de emergência, mas limitam o acesso a redes sociais e à internet sem supervisão. Além do mais, os novos modelos incorporam ferramentas educativas, inteligência artificial adaptada a menores e modos específicos para evitar distrações durante as aulas.

Ao contrário do smartphone, os relógios inteligentes infantis permitem supervisionar o tempo de utilização, estabelecer limites diários e adaptar o acesso a conteúdos de acordo com a idade do menor. “Os relógios inteligentes permitem uma imersão digital progressiva. O menor familiariza-se com a tecnologia dentro de um ambiente controlado e educativo, sem a pressão constante das redes sociais. A chave está em acompanhar, não em substituir a educação por um ecrã”, afirma Álvarez.

Os peritos em psicologia infantil concordam em que atrasar o acesso do smartphone traz benefícios emocionais e sociais. Menos notificações favorecem a concentração, a socialização presencial e a autonomia. Além do mais, ajudam a evitar que o telemóvel se converta num regulador emocional. De acordo com os dados da SaveFamily, mais de metade dos menores reconhece sentir ansiedade ou stress quando se lhes limita o telefone, um sinal de dependência que preocupa os especialistas.

A conclusão é clara: o acesso precoce e sem limites às redes sociais apresenta riscos reais para o bem-estar infantil. Por isso, além de regular, os peritos insistem na necessidade e educar e de introduzir a tecnologia de forma gradual, adaptando-a a cada etapa do desenvolvimento para que os menores possam construir uma relação saudável no ambiente digital.

 

Acerca de SaveFamily

 

É a empresa de origem espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais distribui os seus produtos em mais de 26 países.

Criada em 2017, uma equipa multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500 mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes.

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Fonte: Newsline Agência de Comunicação

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