quinta-feira, 12 de março de 2026

“Associações: Vivências do Minho, 11 anos: a afirmação de uma visão autêntica do folclore português”


Por António Marrucho

Com sede em Tourcoing, a associação Vivências do Minho defende há mais de uma década uma visão exigente e contextualizada do folclore português, centrada na região do Minho. Oficialmente criado em 2015, tem suas raízes em trabalhos de pesquisa iniciados em 2010 com o projeto Arquivos do Povo em Portugal, que agora são seguidos por mais de 25.000 pessoas.

Após celebrar seu 10º aniversário em 2025, e depois seu 11º aniversário em 13 de fevereiro de 2026, a associação se firmou como um dos grupos mais antigos da região, comprometida com a valorização do patrimônio cultural português. Em um momento em que os shows estão recomeçando com a chegada da primavera, vamos dar uma olhada em um ano particularmente memorável, 2025, com a fundadora do grupo, Virginie Vila Verde.

 

2025 foi um ano intenso para o Vivências do Minho. Quais são seus destaques?

 

De fato, 2025 foi muito rico. Em particular, participamos do 9º Festival Lusófono em Bruxelas, ao lado de bandas de Portugal e de outros países. Se aceitamos esse convite, foi porque as condições técnicas e artísticas nos permitiram respeitar plenamente nossa visão de palco.

O público de Bruxelas descobriu um dos nossos shows imersivos "2.0", dedicado às festas dos santos padroeiros portugueses. Não apresentamos uma simples sucessão de danças: recriamos uma atmosfera, uma época, uma realidade social. É uma imersão real.

Também participamos da noite "Around the World" em Nieppe, onde nossa reencenação histórica foi especialmente elogiada, assim como da gala de Bailando em maio, em homenagem a danças do mundo todo.

 

Às vezes, você escolhe não participar de certos festivais. Por quê?

 

Porque consistência é fundamental. Se as condições do palco não nos permitem respeitar o trabalho de pesquisa e a lógica histórica, o espetáculo perde seu significado.

Você também se tornou referência na animação dos casamentos portugueses...

Sim, em onze anos, realizamos mais de 70 casamentos, além de muitos eventos culturais e eventos privados ou institucionais. Participar desses momentos familiares é uma verdadeira honra. Transmitimos uma memória viva em um ambiente íntimo e carregado de emoções.

 

Você insiste muito na definição de folclore. Por que essa clarificação é tão importante?

 

Porque folclore não é apenas uma fantasia e uma dança. É um conjunto de práticas, conhecimentos e usos herdados do passado. Isso implica uma responsabilidade: a de executá-los fielmente.

Qualquer mudança significativa é mais uma questão de inspiração popular do que do folclore em si.

Conosco, cada detalhe conta: nenhuma joia moderna é usada, as joias respeitam estritamente a origem do Minho, nenhum piercing ou tatuagens visíveis quebram a ilusão, relógios contemporâneos são excluídos; Apenas um relógio de bolso de época pode ser admitido, o instrumento do acordeonista também responde à coerência histórica.

Até mesmo a ausência de uma bandeira é uma escolha bem ponderada: a era que representamos corresponde ao período monárquico, cuja bandeira diferia da atual. Usar outro seria inconsistente. Então escolhemos não usá-las.

Nosso objetivo não é criticar outros grupos. Cada grupo tem sua própria sensibilidade artística. Mas para nós, respeito pelo folclore exige total coerência.

 

Seu trabalho também é reconhecido além do palco...

 

Sim, e estamos muito tocados com isso. Em 2025, recebi a medalha da Assembleia Nacional das mãos do deputado Ledoux, em reconhecimento ao meu compromisso associativo e ao meu trabalho pela valorização do patrimônio português.

Também fui convidado a trabalhar como consultor pelo grupo Maria da Fonte no Brasil, ansioso para representar fielmente as tradições da Serra d'Arga, e contribuí para a transcrição de arquivos para Margens do Lima de Choisy-le-Roi.

Essas ações estão diretamente ligadas ao trabalho de pesquisa realizado dentro da associação.

 

Hoje, qual atração você está lançando?

 

Nossos padrões artísticos não correspondem a todas as sensibilidades, e é uma escolha presumida. Mas estamos procurando novos membros, especialmente dançarinos homens, assim como homens e mulheres para canto e música.

Entrar para a Vivências do Minho significa se comprometer com uma abordagem autêntica, respeitosa à história e focada na transmissão.

Mais do que apenas um grupo folclórico, Vivências do Minho se define como um projeto real de memória viva. Por meio de pesquisas rigorosas, uma necessidade artística assumida e um desejo constante de transmitir, a associação mantém, em 2026, seu compromisso com o serviço ao patrimônio cultural português.

Fonte: Luso Jornal (França)/Parceria

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