Por: Rafaela Simões
Os primeiros grupos sanguíneos
foram descobertos no século XX, mais precisamente em 1901, pelo médico e
cientista austríaco Karl Landsteiner. Na altura, identificou os grupos A, B e
O, uma descoberta revolucionária na medicina, mas que não estagnou no tempo.
A ciência continua a estudar
os grupos sanguíneos e um mistério detetado em 1972 foi, finalmente, resolvido.
Há mais de 50 anos os médicos
verificaram que uma paciente grávida tinha elevada ausência do antigénio
eritrocitário AnWj no sangue e desde então a comunidade científica suspeitava
que tal se devesse "a uma supressão transitória da expressão do antigénio".
Mas os cientistas quiseram ir
mais além para perceber o fenómeno e descobriram então "homozigotia para a
mesma grande deleção exónica no gene MAL, a qual foi confirmada noutros
indivíduos AnWj-negativos não relacionados".
Por outras palavras, o que
acontece é que quando uma pessoa herda duas cópias do gene MAL, acaba por ter
um tipo de sangue AnWj-negativo de causa hereditária, tal como a paciente
grávida tinha.
Este é um tipo de sangue raro,
que dificultou o processo novo estudo, mas felizmente já foi possível
identificar o novo grupo sanguíneo, facilitando assim processos de transfusão
de sangue em que é fundamental fazer a associação certa de modo a evitar reações
adversas no corpo ou mesmo a morte.
No entanto, ao contrário de
outros grupos sanguíneos, o AnWj-negativo não é possível detetar logo à
nascença, uma vez que só se manifesta algum tempo após o nascimento.
Sendo um tipo sanguíneo raro,
é fundamental fazer mais estudos nos poucos casos clínicos que existem, para
assim perceber o impacto que tem na saúde de cada pessoa e, por consequência,
gerir este tipo de sangue a nível de transfusões, que poderão salvar vidas.
O estudo que revela este novo
grupo sanguíneo foi realizado por cientistas britânicos e israelitas e foi
publicado na revista científica Blood.
Fonte: MSN

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