Por: Inês Fernandes
● A Comissão Europeia está a
analisar a limitação de acesso dos menores às redes sociais frente ao aumento
dos problemas emocionais ligados ao abuso do digital
● Peritos alertam para uma
geração “hiper conectada”, mas cada vez mais desconectada do seu meio e das
suas famílias
● A campanha “Loading Valores”
procura promover uma educação digital consciente e recuperar espaços de
comunicação entre pais e filhos
Enquanto milhares de crianças
europeias continuam a aceder às redes sociais e smartphones a idades cada vez
mais precoces, Bruxelas decidiu tomar medidas. A Presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, considera promover este verão novas medidas
para limitar o acesso de menores a plataformas digitais e exigir sistemas reais
de verificação da idade. A iniciativa chega num momento em que as famílias,
psicólogos e educadores alertam para um problema que já entrou nas casas de
cada um: as crianças são incapazes de se separar dos telemóveis, verificam-se
conflitos diários por causa do tempo de ecrã e existe uma dependência digital
que começa a deixar marca no bem-estar emocional das crianças.
Contudo, esta iniciativa
institucional reflete uma realidade que preocupa milhares de famílias. “Quando
lhe tiro o telemóvel, aborrece-se, grita e diz que lhe arruíno a vida”, frases
como está, habituais já me muitas famílias, deixaram de ser casos isolados para
se converterem numa preocupação crescente para pais, docentes e profissionais
de saúde mental.
De acordo com o relatório da
SaveFamily, 90% dos menores já utilizam equipamentos com ligação à internet e
mais de 81% passa mais de uma hora diária em frente aos ecrãs durante a semana.
Os momentos de jogos, conversa ou convivência foram substituídos, em muitos
casos, por horas de ligação constante e dependência emocional de ecrãs.
A psicóloga infantojuvenil
María García, colaboradora da campanha Loading Valores explica que “a fronteira
entre o uso e a dependência é ultrapassada quando o dispositivo deixa de ser
uma ferramenta e passa a converter-se numa necessidade emocional”. Depois de
realizar consultas a dezenas de crianças em diferentes faixas etárias, a
especialista assegura que se repetem os mesmos padrões: as crianças irritam-se
se lhes tentam retirar o ecrã, perdem o interesse por outras atividades e
procuram aprovação constante online ou em videojogos.
O problema, reforça García,
não está na tecnologia em si, mas na forma como se integra na vida quotidiana.
“Não se trata de demonizar os ecrãs, mas de ensinar os menores a
relacionarem-se com estes de forma sã e equilibrada. O risco surge quando o
telemóvel ou o tablet substituem o contacto humano, o jogo ao ar livre ou a
gestão de emoções”, afirma.
A campanha Loading Valores,
impulsionada pela SaveFamily, procura consciencializar as famílias, professores
e autoridades da necessidade de educar as crianças desde pequenas para que
possam ter uma imersão responsável num mundo cada vez mais tecnológico e que
evitem cair nos perigos digitais que se escondem por detrás dos ecrãs dos
telemóveis.
A especialista insiste que os
efeitos que se estão a notar em idades cada vez mais precoces: alterações do
sono, irritabilidade, baixa tolerância à frustração e dificuldades de atenção,
são já motivos habituais para a consulta de psicologia. De acordo com o
Observatório de Hábitos Digitais da SaveFamily, 53,3% dos pais afirmam que o
uso de dispositivos digitais teve um impacto emocional nos seus filhos. Mais de
metade dos entrevistados. Além do mais, 30,9% das crianças irrita-se se lhe
retiram o dipositivo e, até 23,8% reporta ansiedade ao não ter acesso a estes.
Esta problemática tem reflexo
e impacto nas aulas: 37.8% das famílias alertam que o uso de dispositivos
móveis por parte das crianças afeta o rendimento escolar devido ao abuso das
redes sociais e o acesso à internet sem restrições.
O lar: o
primeiro campo de batalha
No seio familiar o conflito
costuma aparecer quando os pais tentam limitar o tempo de ecrã. O que começa
como uma negociação pode acabar com gritos ou castigos. “O sentimento de
impotência é enorme. Sabemos que algo não está bem, mas não encontramos maneira
de colocar limites sem discussões. É uma ‘epidemia silenciosa’ dentro dos
lares”, reconhecem algumas das famílias participantes da Loading Valores.
A preocupação social não deixa
de crescer. Em vários países europeus já se estudam restrições ao acesso de
menores a determinadas plataformas digitais, enquanto que em Portugal se debate
a possibilidade de estender a mais idades a limitação do uso de telemóveis em
recintos escolares e atrasar a idade de acesso a redes sociais.
O problema não é apenas
tecnológico, mas também emocional e educativo. “Muitos pais sentem-se
impotentes. Sabem que algo não está bem, mas não encontra uma forma de colocar
limites sem converter cada conversa num conflito”, assinalam desde Loading
Valores, que aposta por substituir a proibição isolada pelo acompanhamento
familiar. A iniciativa inclui conteúdos audiovisuais, divulgação e assessoria
especializada para ajudar as famílias a estabelecer hábitos digitais saudáveis
e recuperar espaços de conexão real.
“O telemóvel não pode
converter-se numa ferramenta para silenciar o aborrecimento, a frustração ou as
emoções incómodas. Ajudar as crianças a tolerar a espera, o silencio ou o jogo
sem estímulos digitais é educar o seu cérebro para a vida real”, adverte a
psicóloga.
A dependência digital infantil
reflete uma sociedade hiper conectada que também afeta os adultos, que se
esforçam por procurar um equilíbrio entre o mundo online e a vida real. No
canal de Youtube da SaveFamily pode consultar o trabalho realizado juntamente
com María García. O objetivo é conseguir que as crianças aprendam a desconectar
dos ecrãs para se reconectarem com o seu meio e se passem de verdade valores
chave como a empatia, o respeito e a comunicação.
Acerca de
SaveFamily
É a empresa de origem
espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais
distribui os seus produtos em mais de 26 países.
Criada em 2017, uma equipa
multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500
mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes.
Para mais informação de
imprensa ou entrevistas:
Fonte Newsline Agência de
Comunicação

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