Por: Ines Fernandes
● A hiper conectividade
precoce redefine a infância: o acesso a dispositivos antecipa-se e
intensifica-se desde idades cada vez mais jovens
● Peritos alertam para o
impacto na saúde mental e o rendimento escolar perante uma utilização cada vez
mais difícil de controlar
● O acesso a dispositivos
conectados antecipa-se na infância: 90% dos menores já os utiliza e três de
cada quatro adolescentes têm telemóvel antes dos 13 anos
A utilização de telemóvel
entre menores é já um fenómeno estrutural que afeta o desenvolvimento
emocional, social e educativo das crianças. Esta é uma das conclusões do último
relatório sobre a infância e tecnologia da SaveFamily, que alerta que um de cada
quatro adolescentes utiliza o telemóvel com o forma de escape para esquecer os
problemas, ao mesmo tempo que quase metade reconhece ter perdido o controlo do
tempo que passa em frente ao ecrã.
Os dados do relatório,
reforçados por estudos internacionais e questionários realizados diretamente
com famílias, desenham um cenário de hiper conectividade precoce na qual o
acesso a dispositivos digitais se produz cada vez mais cedo e com menor supervisão.
O relatório assinala que 25% dos adolescentes recorrem ao telemóvel para se
desconectar da realidade e até 48% admite dificuldades para gerir o seu tempo
de utilização.
81% das
crianças passam, diariamente, horas com o telemóvel
Este padrão não é isolado,
desenvolve-se numa transformação mais ampla onde o acesso à tecnologia já não
começa na adolescência, mas sim na infância. Em Portugal, 25% das crianças
entre os 10-11 anos dispõe já de um telemóvel, uma percentagem que chega aos
75% entre os 11 e os 14, e uma utilização quase universal acima dos 15.
Os peritos alertam que a
exposição prolongada não apenas implica mais tempo de ecrã, mas também uma
relação cada vez mais intensa com os ambientes digitais os menores conectados,
mas também como estão desenhadas as plataformas para os reter. Estamos perante
sistemas que fomentam uma utilização continuada e dificultam a desconexão”,
assinala Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.
O relatório assinala que esta
dinâmica está reforçada pela antecipação na idade de acesso ao primeiro
telemóvel. Se há uma década se situava perto dos 13 ou 14 anos, hoje, um terço
dos adolescentes portugueses já dispõem de um smartphone antes dos 13 anos.
Nalguns casos, o contacto com dispositivos conectados começa ante antes dos 8
anos, consolidando o uso intensivo desde etapas muito precoces, contra as
recomendações dos peritos.
Riscos na
saúde mental das crianças
Esta exposição precoce tem
implicações que vão mais além do ócio digital. O relatório da SaveFamily aponta
para uma relação entre o uso intensivo das redes sociais e o declínio da saúde
mental. Os adolescentes que passam mais de três horas por dia em plataformas
digitais duplicam o risco de sofrer problemas psicológicos, enquanto 17%
reconhece ter tentado reduzir a sua utilização sem o conseguir.
Em paralelo, emergem sinais do
impacto no âmbito educativo e social. 11% dos jovens admite que o uso de
telemóvel afeta negativamente o seu rendimento escolar, enquanto outros jovens
asseguram que sofrem de problemas mentais tais como ansiedade associada à
desconexão ou a necessidade constante de interação digital, reagindo, até, com
agressividade quando se tenta privá-los do telemóvel.
“Estamos a ver como a
tecnologia entra na vida dos menores sem uma progressão adaptada ao seu
desenvolvimento. Isto gera uma sobre-exposição que pode ter efeitos cumulativos
no seu bem-estar emocional, a sua capacidade de concentração e as suas relações
sociais”, adverte Álvarez.
Em Portugal, 91% das casas com
crianças conta com acesso à internet, o que reflete uma tendência de penetração
elevada de tecnologia e antecipação na idade de utilização. O mesmo se passando
em Espanha, por exemplo. Em ambos os países, o objetivo já não é o acesso, mas
sim a gestão de uma conectividade que se normaliza logo na infância.
A esta realidade junta-se o
papel da inteligência artificial, que amplifica os riscos ao personalizar
conteúdos e acelerar a exposição a estímulos digitais. O relatório adverte que
a combinação de acesso precoce, desenho persuasivo e sistemas algorítmicos gera
dinâmicas de utilização continuada que afetam de forma cumulativa o
desenvolvimento cognitivo dos menores.
“As tecnologias atuais não
apenas oferecem conteúdo, mas também o adaptam constantemente ao utilizador, o
que aumenta a sua capacidade de influência. No caso dos menores, isto exige um
foco muito mais rigoroso em termos de proteção e acompanhamento”, explica o CEO
da SaveFamily.
Uma
tecnologia que influencia a mente das crianças
Neste contexto, os
especialistas coincidem na necessidade de repensar o modelo atual de acesso
digital. Mais além de limitar o tempo de utilização, a tendência atual procura
atrasar a entrega do primeiro smartphone para fomentar alternativas
supervisionadas e reforçar tanto a educação digital como os mecanismos de
controlo.
Para combater esta ameaça,
cada vez estão mais presentes alternativas tecnológicas que procuram introduzir
uma transição mais progressiva para a vida digital. Entre elas, os smartwatches
orientados a menores emergem como uma solução eficaz ao permitir atrasar a
entrega do primeiro telemóvel sem renunciar a conectividade que procuram as
famílias. Estes dispositivos oferecem funcionalidades limitadas e controladas
como chamadas, geolocalização, IA adaptada a crianças, mensagens restritas ou,
até, modo antibullying que facilitam um primeiro contacto com a tecnologia num
ambiente seguro e com supervisão. Deste modo, favorecem uma imersão digital
escalada, adaptada à idade e o grau de maturidade do menor, ao mesmo tempo que
contribuem para reduzir a exposição precoce a redes sociais e conteúdos
potencialmente aditivos.
Esta realidade reflete uma
geração que cresce conectada desde a infância, com hábitos digitais intensivos
e uma relação cada vez mais complexa com a tecnologia. Um cenário que, de
acordo como relatório, requer respostas estruturais que vão mais além da responsabilidade
individual e abordem o desenho do próprio ecossistema digital no qual crescem
os menores.
Acerca de
SaveFamily
É a empresa de origem
espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais
distribui os seus produtos em mais de 26 países.
Criada em 2017, uma equipa
multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500
mil famílias que formam parte da sua
Fonte: Newsline Agência de
Comunicação

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