Dia 26 novembro 2025: Democracia e Liberdade (objecto: 25 de novembro), 15.30 horas
Depois das seis sessões
anteriores que percorreram como foi a evolução política e social do país desde
julho de 1974 a novembro de 1975, é o momento para aprofundar como foi e o que
aconteceu no 25 de novembro. Zita Seabra, o Coronel Florindo de Morais (Comandos),
o General António Vaz Afonso (Força Aérea), Hélder de Oliveira, contam a sua
participação no 25 de novembro, pelo lado dos moderados que fizeram frente aos
revolucionários. Partilharão testemunhos pessoais e conhecimentos próprios
sobre factos (sinopse em anexo) que marcaram esta data.
“Democracia e Liberdade” é o
tema da próxima sessão do ciclo “50 anos do 25 de novembro”, que terá lugar
amanhã no Palácio da Independência, em Lisboa. Será a sessão de encerramento do
Ciclo.
O ataque dos paraquedistas, a
tomada da RTP e o uso da sua antena para
serviço da sublevação, o
alinhamento revolucionário com Polícia Militar e RALIS, as movimentações de
militantes do PCP e extrema-esquerda, a resposta dos moderados que se tinham
preparado para a eventualidade, a base de Cortegaça e a reserva estratégica que
guardara, as negociações constantes no Palácio de Belém, o contra-ataque dos
Comandos, a chamada dos “convocados” civis, o sobrevoo de Lisboa, a preocupação
de não provocar mortes, que incendiariam
tudo.
O jornalista Henrique Monteiro
será o moderador, contando ainda com o painel residente do ciclo, composto
nesta sessão por José Ribeiro e Castro, Carlos Magno, José Luís Ramos Pinheiro,
Maria João Avillez e Nuno Rogeiro.
A sessão realiza-se na
quarta-feira, dia 26 de novembro, às 15h30, no Palácio da Independência, em
Lisboa.
Promovido pela Sociedade
Histórica da Independência de Portugal, o ciclo com o subtítulo “Desvios,
confrontos, percalços da Revolução e o triunfo da Democracia”, percorre as
diferentes fases do processo revolucionário posterior ao 25 de Abril,
desde julho de 1974 até ao 25
de novembro de 1975. A iniciativa, iniciada em 15 de outubro, decorre ao longo
de sete encontros, até 26 de novembro e conta com convidados de reconhecido
prestígio, selecionados pelo seu conhecimento e experiência nos períodos
históricos em análise.
As sessões são públicas, mas
de acesso por convite, devido às limitações da sala. Os convites podem ser
solicitados através do email:
ship.direccao@sociedadehistorica.pt
Haverá transmissão online em
directo, via streaming, nas seguintes plataformas:
Facebook: https://www.facebook.com/sociedadehistorica/
YouTube: https://www.youtube.com/@sociedadehistorica
Sinopse
O que
aconteceu como foi, 50 anos de 25 de novembro
O 25 de Novembro de 1G75
marcou o fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e o restabelecimento da
autoridade democrática e da disciplina militarem Portugal. Nos dias 25 a 28 de
novembro, desencadeou-se uma confrontação decisiva entre unidades militares
radicais sobretudo paraquedistas de Tancos e as forças moderadas do MFA,
apoiadas pelo Presidente Costa Gomes e pelo Governo de Pinheiro de Azevedo.
A crise começou na madrugada
de 25 de novembro, quando paraquedistas ocuparam bases aéreas e tentaram
desarticular o dispositivo militar da Grande Lisboa. Tratou-se da última
tentativa de imposição de um modelo revolucionário apoiado pela esquerda militar
e setores da extrema-esquerda civil.
O COPCON, dirigido por Otelo
Saraiva de Carvalho, teve postura ambígua, apelando à contenção, mas sem impor
a ordem. A viragem ocorreu com a intervenção decisiva dos Comandos da Amadora,
comandados pelo Coronel Jaime Neves, que retomaram posições estratégicas e
obrigaram à rendição dos paraquedistas e outros sublevados. O sobrevoo da
região de Lisboa por aviões da Força Aérea desmoralizou os insurrectose
constituiu importante factor de dissuasão. A tomada de Tancos no dia 26
consolidou o controlo moderado. No dia 28, a cadeia de comando estava
restabelecida e iniciava-se a reestruturação profunda das Forças Armadas,
incluindo a extinção operacional do COPCON.
Politicamente, a vitória dos
moderados garantiu a continuidade da Assembleia Constituinte, o reforço do PS e
do PPD e o isolamento progressivo do PCP e da extrema-esquerda, que perderam
influência sobre o MFA. Abriu- se caminho à normalização institucional eà
futura Constituição de 1976. Foram presos militares e civis envolvidos na
insurreição. Não houve ilegalização de partidos. Houve reversão de excessos
revolucionários, com maior controlo legal sobre saneamentos, ocupações e
comunicação social.
O 25 de Novembro inseriu-se
num contexto internacional crítico para Portugal. A guerra civil angola na
entre MPLA, FNLA e UNITA acentuou-se continuamente, com o MPLA a receber forte
apoio cubano e soviético e a FNLA e UNITA a receberem-no de Zaire, África do
Sul e EUA. Pouco depois, a 7 de dezembro de 1G75, Timor-Leste foi invadido pela
Indonésia. Jacarta explorou a retirada portuguesa. O Estado português, em plena
recomposição pós-25 de novembro, limitou-se a protestos diplomáticos, sem
capacidade para impedir a anexação.
O 25 de Novembro encerrou o
ciclo revolucionário interno, mas coincidiu com os dois desfechos mais
dramáticos da descolonização portuguesa.
Fonte: Sociedade Histórica da Independência de Portugal

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