Por: Patrícia Candeias, Ana Paula Etges e Anne Geubelle
Para se reduzir a proporção da
população que desenvolve a doença ao longo dos anos, é fundamental promover a
educação alimentar desde a infância
A obesidade e o excesso de
peso são fatores de risco que aumentam a probabilidade de doenças crónicas,
como a diabetes, e diminuem a longevidade. Contudo, mitigar esta ameaça à saúde
pública é complexo, pois no mínimo envolve a mudança de hábitos individuais,
como o sedentarismo e os padrões alimentares hipercalóricos.
A International Diabetes
Federation prevê que, em 2050, 853 milhões de adultos viverão com diabetes. Em
2024, esta doença foi responsável por 3,4 milhões de mortes. Perante este
cenário, a boa notícia é que a maioria dos casos de diabetes tipo 2 pode ser
prevenida com a adoção de uma rotina de vida mais saudável.
O Poder
da Prevenção Ativa
A diabetes ocorre quando o
organismo falha em produzir ou utilizar a insulina de forma eficaz para manter
a glicose no sangue. Contra esta disfunção metabólica, a prevenção é a arma
mais poderosa. O estudo "Diabetes Prevention Program" demonstrou que
a intervenção baseada em dieta e estilo de vida saudável resultou numa redução
de 58% no risco de desenvolver diabetes tipo 2, um efeito que perdurou por uma
década. Em indivíduos com 60 ou mais anos, este risco desceu ainda mais,
atingindo os 71%. Estes resultados provam que a prevenção é a estratégia de
saúde pública mais eficaz e com o maior retorno a longo prazo.
O Poder
Inegável da Prevenção Ativa
As diretrizes da OMS para
evitar a diabetes tipo 2 e os seus efeitos debilitantes devem ser o nosso foco:
Manter um peso saudável;
Adotar um estilo de vida ativo
com, pelo menos, 150 minutos semanais de exercício físico moderado;
Priorizar a alimentação
saudável: aumentar a ingestão de frutas, vegetais e fibras; substituir grãos
refinados por integrais; e evitar o excesso de açúcar, gorduras saturadas e
carnes vermelhas processadas;
Evitar o consumo de tabaco.
O Custo
da Inação face ao Valor da Saúde
Embora a ciência ofereça novas
vias de tratamento, como a classe de medicamentos GLP-1 (Monjaro ou Ozempic),
não devemos focarmo-nos apenas numa solução farmacológica, que tende a ser
dispendiosa e não aborda a raiz do problema.
Para se reduzir a proporção da
população que desenvolve a doença ao longo dos anos, é fundamental promover a
educação alimentar desde a infância, garantir a acessibilidade a alimentos
saudáveis em todas as comunidades, e incentivar o desenho de cidades que
promovam a mobilidade ativa e o exercício físico. Este é um investimento
estratégico no futuro económico e na qualidade de vida da população.
Conforme demonstra o Stanford
Center on Longevity, até 80% das doenças cardiovasculares, AVC e diabetes tipo
2, e 40% dos cancros, estão relacionados com o estilo de vida. A prevenção da
diabetes tipo 2 deve por isso ser encarada como um ato de autocuidado, que
resulta em mais anos de vida com qualidade.
Um futuro saudável e a
sustentabilidade do sistema de saúde dependem, em grande parte, da forma como
decidimos viver hoje. A saúde não se pesa, nem se compra: alcança-se, dia após
dia, através de escolhas sensatas promotoras da longevidade humana.
Fonte: Sapo on-line Saúde

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