Por: Dr. Leonardo Grossi
Diabetes é uma doença crônica
caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue, o que pode provocar
danos em vários órgãos, se não for tratado.
Existem cinco tipos principais
de diabetes: diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, diabetes tipo 3, diabetes
gestacional e pré-diabetes. A principal causa da diabetes é a má alimentação,
especialmente o consumo excessivo de alimentos açucarados, industrializados e a
falta de exercício físico.
O tratamento da diabetes
mellitus normalmente passa por fazer alterações no estilo de vida,
principalmente na dieta e na prática de exercício físico. Mas também podem ser
necessários remédios, como antidiabéticos orais ou insulina.
Sintomas
de diabetes
Os
sintomas clássicos de diabetes incluem:
Sensação de sede exagerada;
Vontade frequente para urinar;
Boca seca;
Fome excessiva;
Cansaço fácil;
Alterações da visão.
Normalmente, o diabetes
mellitus tipo 2 é uma doença silenciosa, ou seja, que não gera sintomas. Quando
eles aparecem são porque a doença já está descompensada, o que está muito
associado a maus hábitos alimentares, especialmente ao consumo exagerado de
açúcar e carboidratos, assim como a falta de exercício físico.
Já os sintomas da diabetes
mellitus tipo 1 geralmente são identificados durante a infância ou a
adolescência e também podem incluir outros sinais mais generalizados como
dificuldade para ganhar peso, coceira por todo o corpo ou irritabilidade e
mudanças de humor repentinas.
No caso da diabetes
gestacional, os sintomas são mais raros e, por isso, a mulher geralmente
descobre que está com diabetes durante os exames de rotina do pré-natal,
especialmente após fazer o exame de glicose.
Principais
tipos de diabetes
A
diabetes pode ser dividida em 4 principais tipos:
Diabetes
mellitus tipo 1:
É o tipo menos comum e surge
desde o nascimento, sendo considerada uma doença autoimune, já que o próprio
sistema imune ataca as células do pâncreas responsáveis por produzir a
insulina. Assim, a insulina não é produzida, a glicose não é transportada para
as células e acaba se acumulando no sangue;
Diabetes
mellitus tipo 2:
É o tipo mais comum e acontece
devido a uma resistência à insulina que surge ao longo da vida, normalmente
devido a maus hábitos alimentares. Essa resistência diminui a ação da insulina
no corpo e faz com que a glicose acabe se acumulando no corpo;
Diabetes
gestacional:
É um tipo de diabetes que
acontece apenas durante a gestação e que está relacionado com a produção, pela
placenta, de outros hormônios que bloqueiam a ação da insulina;
Diabetes
tipo 3:
É um tipo de diabetes que
ainda não é reconhecido oficialmente e que poderia ser causado pela dificuldade
do cérebro em responder à insulina produzida pelo organismo, devido a
alterações nos receptores deste hormônio nos neurônios;
Pré-diabetes:
Acontece quando o nível de
açúcar no sangue está aumentado mas ainda não é o suficiente para fazer o
diagnóstico de diabetes.
Além destes tipos, há outros
tipos menos comuns de diabetes, como a diabetes latente autoimune do adulto
(LADA), diabetes desencadeada pelo uso de medicamentos, diabetes associado a
doença pancreática ou diabetes monogenético (MODY), por exemplo.
Uma outra condição, conhecida
como diabetes insipidus, embora possua uma denominação semelhante, não é
considerada um tipo de diabetes, já que acontece quando os rins removem líquido
em excesso do corpo, não estando diretamente relacionada com a insulina ou o
nível de açúcar no sangue.
Causas de
diabetes
As causas
da diabetes variam de acordo com o tipo de diabetes:
1.
Diabetes tipo 1
Não se conhece a causa exata
da diabetes tipo 1, no entanto, sabe-se que o sistema imune identifica as
células ß do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, e causa a sua
destruição, sendo por isso conhecida como uma doença autoimune.
Uma vez que não é causada pelo
estilo de vida, a diabetes tipo 1 pode estar presente desde o nascimento, sendo
identificada durante a infância ou adolescência.
2.
Diabetes tipo 2
A diabetes tipo 2 é
principalmente causada por maus hábitos alimentares, especialmente o consumo
excessivo de alimentos com açúcar ou carboidratos.
Além disso, ter um estilo de
vida sedentário também pode contribuir para o aparecimento da diabetes.
Pessoas com acúmulo de gordura
na região abdominal também parecem ter maior risco de diabetes tipo 2, já que
as células de gordura parecem contribuir para a resistência à insulina.
3.
Diabetes gestacional
A diabetes gestacional se
desenvolve principalmente devido aos hormônios que são produzidos pela placenta
durante a gravidez.
Esses hormônios parecem
bloquear parcialmente a ação da insulina, fazendo com que seja mais fácil
aumentar os níveis de açúcar no sangue durante a gestação.
Ainda assim, mulheres que têm
excesso de peso, que ganharam muito peso durante a gravidez, que já tiveram
diabetes gestacional ou que têm histórico de diabetes tipo 2 na família,
parecem ter maior risco de desenvolver diabetes gestacional.
Como
confirmar o diagnóstico de diabetes
O diagnóstico da diabetes pode
ser feito com um conjunto de exames de sangue que permitem avaliar a quantidade
de glicose.
No entanto, um dos exames mais
utilizados e que, geralmente, é incluído nos exames de rotina, é o teste da
glicemia de jejum. Este teste mede a quantidade de glicose no sangue após um
período de jejum de, pelo menos, 8 horas, sendo os valores de referência:
Normal: inferior a 99 mg/dL;
Pré-diabetes: entre 100 a 125
mg/dL;
Diabetes: acima de 126 mg/dL.
Quando os valores de glicose
em jejum estão alterados em ao menos 2 dosagens em dias diferentes, normalmente
é recomendado fazer outro exame para confirmar os valor e ajudar no
diagnóstico.
Porém, o médico também pode
pedir outros exames, como hemoglobina glicada ou o teste de tolerância à
glicose (TOTG).
Como
saber se é diabetes
Para entender melhor o
resultado do exame de glicose, selecione na calculadora a seguir o teste
realizado e insira o seu resultado:
A calculadora é apenas uma
ferramenta de orientação, não servindo como diagnóstico e nem substituindo a
consulta com o endocrinologista.
Como é
feito o tratamento
O tratamento da diabetes
mellitus tem como principais objetivos melhorar a qualidade de vida, aliviando
os sintomas, e evitar o desenvolvimento de complicações de saúde mais graves.
Embora alguns cuidados sejam
considerados gerais para tratar qualquer tipo de diabetes, como planejar o tipo
de alimentos que se ingere e fazer exercício físico regular, o tratamento pode
variar um pouco de acordo com o tipo da diabetes:
1.
Tratamento diabetes tipo 1
O principal tratamento para a
diabetes tipo 1 é o uso diário de insulina injetável, pois, como o corpo não
consegue produzir o hormônio, a insulina precisa ser injetada no corpo.
Normalmente, é aplicada uma
injeção ao início do dia, de ação lenta, para manter um nível basal do hormônio
no organismo, mas também é necessário medir a glicemia antes e após as
refeições para avaliar se é necessário fazer alguma injeção extra, geralmente
de uma insulina rápida ou ultrarrápida.
Além da insulina, também é
recomendado manter um planeamento das refeições, especialmente sobre a
quantidade de açúcar e carboidratos consumidos, assim como adotar um estilo de
vida ativo, com a prática regular de exercício físico.
2.
Tratamento diabetes tipo 2
O tratamento da diabetes
mellitus tipo 2 nem sempre precisa ser feito com remédios porque, dependendo
dos níveis de açúcar no sangue, pode ser possível controlar a glicose apenas
com alterações no estilo de vida, principalmente na dieta, com redução da ingestão
de alimentos açucarados e carboidratos, assim como a prática regular de
exercício físico.
Nos casos em que é necessário
fazer uso de remédios, o médico pode receitar o uso de dois tipos diferentes:
Antidiabéticos orais: são a
primeira linha de tratamento medicamentoso da diabetes tipo 2 e ajudam a manter
os níveis de açúcar controladas através de vários mecanismos, seja estimulando
a produção de insulina pelo pâncreas, eliminando glicose pela urina ou
diminuindo a produção de glicose pelo fígado;
Insulina: é usada quando os
antidiabéticos orais não foram suficientes para controlar a glicose ou quando
os antidiabéticos não são uma opção de tratamento, como no caso de pessoas com
insuficiência renal.
No caso de se fazer uso de
insulina é importante fazer uma avaliação diária e regular da glicemia capilar,
principalmente antes e depois das refeições através de um glicosímetro, que é
um aparelho que mede os níveis de glicose no sangue.
3.
Tratamento diabetes gestacional
O tratamento da diabetes
gestacional é feito essencialmente com alterações na dieta e prática regular de
exercício físico, pois são medidas naturais que permitem controlar os níveis de
glicemia no sangue.
Porém, caso as alterações no
estilo de vida não estejam sendo suficientes para controlar os níveis de açúcar
e caso os valores de glicemia estejam sempre muito altos, o médico pode
aconselhar o uso de antidiabéticos orais ou insulina.
Além disso, também é
importante fazer a medição regular dos níveis de glicemia em casa, utilizando
um aparelho para medir o nível de açúcar no sangue.
Dieta
para diabetes
Um dos passos mais importantes
para controlar a diabetes é a adequação da dieta, que deve ser principalmente
baseada na redução do consumo de açúcar e de alimentos ricos em carboidratos.
O ideal é que a dieta seja
orientada por um nutricionista, que terá em atenção a diabetes e os gostos
pessoais.
Existem alguns alimentos que
são considerados \"proibidos\", pois se deve evitar ao máximo
consumi-los em excesso, como:
Doces em geral;
Bebidas açucaradas;
Bebidas alcoólicas.
Outros alimentos, como frutas,
arroz ou macarrão, embora possam ser ingeridos devem ser consumidos com
moderação.
Também existem alimentos que
ajudam a controlar melhor a diabetes, como os grãos integrais, os legumes ou as
oleaginosas, por exemplo.
Este tipo de dieta pode ser
seguida nos casos de diabetes confirmada, mas também pode ser feito por quem
tem pré-diabetes, já que permite regular os níveis de glicose no sangue,
evitando o desenvolvimento da diabetes.
Diabetes
na gravidez
A diabetes ma gravidez, também
conhecida como diabetes gestacional, é uma condição relativamente comum que
pode acontecer mesmo em mulheres que nunca apresentaram aumento da glicose no
sangue antes.
Este tipo de diabetes acontece
devido à produção de hormônios pela placenta que bloqueiam parcialmente o
efeito da insulina do corpo, fazendo com que os níveis de açúcar no sangue
consigam aumentar mais facilmente.
A diabetes gestacional deve
ser identificada o mais rápido possível para evitar complicações no
desenvolvimento do bebê ou parto prematuro.
Por esse motivo, no decorrer
das consultas de pré-natal, o médico geralmente pede exames de glicose.
O tratamento consiste em
alterar o estilo de vida, fazendo uma dieta mais saudável e praticando
exercício físico, mas, em alguns casos, também pode incluir o uso de
medicamentos.
Diabetes
em crianças
A diabetes mellitus também
pode se desenvolver em crianças, causando diabetes infantil.
O tipo mais comum de diabetes
durante a infância é a diabetes tipo 1, no entanto, com as alterações
alimentares que têm acontecido ao longo dos anos, a diabetes tipo 2 também tem
se tornado mais comum, principalmente devido ao consumo excessivo de produtos
industrializados, fast food e alimentos açucarados, assim como um aumento do
sedentarismo.
A diabetes na infância deve
ser tratada o mais cedo possível para evitar atrasos no desenvolvimento, assim
como para evitar o aparecimento de doenças crônicas numa idade jovem.
Possíveis
complicações
Quando a diabetes mellitus não
é tratada adequadamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por
muito tempo e causar danos em vários órgãos.
Por esse motivo, as principais
complicações da diabetes incluem:
Doenças cardiovasculares;
Neuropatia;
Retinopatia;
Surdez;
Pé diabético;
Depressão.
Além disso, os níveis elevados
de açúcar também aumentam o risco de infecção, já que o açúcar facilita o
crescimento e desenvolvimento de fungos e bactérias, sendo frequente que a
pessoa com diabetes apresente infecções urinárias recorrentes, por exemplo.
Por favorecer o
desenvolvimento de vários microrganismos e por dificultar a circulação
sanguínea, a diabetes também causa problemas na cicatrização de feridas.
Fonte: MSN

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