Por: Sílvia Malheiro
Na sessão "Casos Clínicos
Flash: Obesidade – o que há de novo?" foram debatidos temas fundamentais
que desafiam a visão tradicional sobre a obesidade.
Obesidade: doença crónica com
novas perspetivas de tratamento
Manuel Viana, médico de
família e um dos moderadores, abriu a sessão com uma mensagem clara: “A
obesidade é uma doença crónica, centrada no cérebro. Não é uma opção do doente,
não é culpa do doente.” Esta afirmação destaca a importância de tratar a obesidade
com o mesmo rigor que outras doenças crónicas, numa abordagem que ultrapassa o
estigma e a simplificação do problema a uma mera questão de estilo de vida.
Durante a apresentação de um
caso clínico, o orador João Sérgio Neves, endocrinologista, reforçou esta
ideia, afirmando que “a obesidade se trata de uma doença e não de uma opção do
doente. Não é uma questão de estilo de vida ou de falta de primeiro passo.” O
médico salientou ainda que os recentes avanços terapêuticos oferecem novas
opções para um tratamento mais eficaz, contribuindo para uma melhoria
significativa na qualidade de vida dos doentes.
O caso clínico apresentado
referiu uma mulher de 56 anos, professora primária, que vive com obesidade
desde os 20 anos, com uma aceleração do ganho de peso a partir dos 45, quando
entrou na menopausa. Apesar de ter conseguido, em múltiplas intervenções nutricionais,
perder mais de 10 kg em cada tentativa, acabou sempre por ter reganho de peso.
“A obesidade é uma doença de natureza crónica, complexa e recidivante,
caracterizada por uma adiposidade anormal ou excessiva”, salientou João Sérgio
Neves.
O orador deixou bem patente
que a obesidade é uma condição multifatorial – desde fatores genéticos e
epigenéticos a influências ambientais e socioculturais. “É fundamental que os
profissionais de saúde adotem uma abordagem que envolva a compreensão da sua
fisiopatologia e que reconheça a necessidade de um tratamento contínuo, tal
como se procede com a dislipidemia, a hipertensão e a diabetes”, lembrou.
Enquanto falava do caso
clínico, o endocrinologista contou que, em consulta, num momento de interação
com a doente, após perda de peso, a mesma lhe colocou a seguinte questão: “Dr.
sinto-me muito melhor com este peso, quando posso parar a medicação?”
De acordo com o orador, a
resposta, ainda que simples, exigia uma abordagem sensível, explicando que,
apesar da possibilidade de interrupção do fármaco – que não causa habituação –,
há um risco real de reganho de peso, pelo que o tratamento contínuo é essencial.
No final, a sessão foi
dinamicamente conduzida por Rica Costa, médica de família, que moderou as
questões da audiência e que garantiu um debate enriquecedor e esclarecedor para
todos os presentes.
Com estas novas perspetivas e
tratamentos emergentes, a comunidade médica reforça a ideia de que a obesidade
deve ser encarada com a seriedade de uma doença crónica, necessitando de uma
abordagem multidisciplinar e contínua para melhorar a vida dos seus doentes.
Fonte: Sapo on-line saúde
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