Por: MJG
Serafim Guimarães, Vogal da
Direção da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), alerta que a
doença renal crónica não dá sintomas, nas fases iniciais, e apela ao rastreio.
Nas fases mais avançadas, a doença implica tratamento com diálise, o que tem um
impacto significativo na qualidade de vida.
“A doença renal crónica é uma
doença assintomática até fases tardias”
Qual a prevalência da doença
renal crónica (DRC) em Portugal?
Estima-se
em cerca de 10% em todos os seus estádios
Continua a ser uma doença
subdiagnosticada. Isso deve-se ao facto de ser uma doença assintomática na fase
inicial?
Sim. A DRC é uma doença
assintomática até fases tardias. Também é verdade que a relação entre risco
cardiovascular e doença renal não está estabelecida no senso comum, o que faz
com as medidas de prevenção que implicam alguns sacrifícios (dieta, exercício,…)
custem mais a ser aceites.
A hipertensão (HTA) continua a
ser o principal fator de risco. A que outros fatores de risco também se deve
estar atento?
A diabetes é a doença que mais
frequentemente causa DRC. A HTA pode ser causa e consequência de doença renal.
Se, por um lado, os doentes hipertensos não controlados podem desenvolver DRC,
por outro, esta, sobretudo em fases mais avançadas, pode cursar com HTA.
O risco cardiovascular está
intimamente ligado ao risco de do20ença renal. Todos os fatores de risco
habitualmente associados à doença cardiovascular (tabaco, obesidade,
sedentarismo, dislipidemia, aterosclerose, …) são-no também fatores de risco
para DRC. Há também algumas doenças hereditárias, como por exemplo a doença
renal poliquística autossómica dominante e várias outras, de menor frequência.
“Apesar de, atualmente, as
complicações agudas da diálise serem pouco frequentes e os sintomas de baixa
intensidade, a limitação é sentida sobretudo nos mais novos”
A DRC, em fases mais
avançadas, implica tratamento de diálise. Qual o impacto deste tratamento na
qualidade de vida do doente?
A diálise tem um enorme
impacto na vida dos doentes, porque se dá uma alteração radical das suas
rotinas. Há uma obrigação de ir aos tratamentos 3 vezes por semana, há algumas
limitações alimentares e de ingestão de água, tudo situações que não são naturais.
Apesar de, atualmente, as complicações agudas da diálise serem pouco frequentes
e os sintomas de baixa intensidade, a limitação é sentida sobretudo nos mais
novos em idade de vida ativa, que não dispõem de tempo nem da energia
necessária para levar a sua vida.
E no
sistema de saúde, tendo em conta os custos diretos e indiretos?
Trata-se de uma doença muito
onerosa para os sistemas de saúde, não só em custos diretamente ligados à
técnica, mas também em custos associados com medicamentos, análises e exames,
cuidados com o acesso vascular e ainda os custos sociais e familiares associados
à morbilidade, absentismo, internamentos, perda de rendimentos, saúde mental,
etc.
Que medidas devem ser tomadas
para que a DRC seja prevenida ou, pelo menos, para que seja diagnosticada numa
fase mais precoce?
Rastreio, deteção precoce,
hábitos de vida saudável, controlo da diabetes e hipertensão, moderação no
consumo de sal, exercício físico, hidratação, evicção de medicamentos
nefrotóxicos.
Fonte: Sapo on-line saúde
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